Papa visita África
Papa despede-se da Argélia. “O coração de Deus não está com os prepotentes mas com os pequenos e humildes”
14 abr, 2026 - 23:59 • Aura Miguel, enviada especial a África
Contra a desigualdade e a exclusão, Leão XIV lembrou às autoridades que “as pessoas e as organizações que dominam os outros – isto a África sabe-o bem – destroem o mundo que o Altíssimo criou para que vivêssemos juntos”.
Leão XIV despede-se da Argélia, certamente reconfortado. Não só pela dimensão pessoal que o liga a Santo Agostinho, que nasceu e viveu em Hipona, mas pela vivacidade da fé que encontrou e pelos aplausos e manifestações de respeito do universo muçulmano.
Em dois dias apenas, o Papa agostiniano falou de “uma paz que não é apenas ausência de conflito, mas expressão de justiça e dignidade” e foi aplaudido quando desejou que a Argélia, com a força das suas raízes e a esperança dos seus jovens, “possa continuar a oferecer um contributo de estabilidade e diálogo na comunidade das nações e nas margens do Mediterrâneo”.
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Contra a desigualdade e a exclusão, Leão XIV lembrou às autoridades que “as pessoas e as organizações que dominam os outros – isto a África sabe-o bem – destroem o mundo que o Altíssimo criou para que vivêssemos juntos”.
Neste país do Magreb, entre o Mediterrâneo e o Saara que, há milénios, guarda imensos tesouros de humanidade e cultura, o Papa desabafou.
“Ai de nós, se os transformarmos em cemitérios onde morre a esperança! Libertemos do mal estas imensas bacias de história e futuro! Multipliquemos os oásis de paz, denunciemos e eliminemos as causas do desespero, combatamos quem lucra com a desgraça alheia!”
“As pessoas e as organizações que dominam os outros – isto a África sabe-o bem – destroem o mundo que o Altíssimo criou para que vivêssemos juntos”.
Neste país esmagadoramente muçulmano, as cidades de Argel e Annaba engalanaram-se em honra do ilustre visitante e os media nacionais deram grande relevo à visita.
A pequena comunidade católica (cerca de 8 mil pessoas), aderiu em festa às celebrações e ouviu do Papa palavras de incentivo, face à rica herança de santos e mártires argelinos.
Na sua agenda, Leão XIV também incluiu duas visitas a centros católicos de acolhimento aos mais necessitados, incluindo muçulmanos.
"O coração de Deus está destroçado pelas guerras"
Num dos momentos de convívio, com as religiosas e utentes desses centros, Leão XIV fez um comovente desabafo que ajuda a perceber as suas preferências para esta viagem africana.
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“Creio que o Senhor, do Céu, ao ver uma casa como esta, onde se procura viver juntos em fraternidade, poderá pensar: afinal, há esperança! Sim, porque o coração de Deus está destroçado pelas guerras, pela violência, pelas injustiças e pelas mentiras. Mas o coração do nosso Pai não está com os malvados, com os prepotentes, com os soberbos; o coração de Deus está com os pequenos e os humildes, e com eles faz avançar o seu Reino de amor e de paz, dia após dia. Tal como procurais fazer aqui no serviço quotidiano, na amizade, no viver juntos”.
A segunda etapa desta viagem papal tem início nesta quarta-feira.
O Santo Padre aterra na capital dos Camarões, Iaoundé, pelas 15h30. Ainda nesta tarde, haverá dois discursos: o primeiro às autoridades e governantes do país; a segunda saudação será num orfanato confiado às religiosas Filhas de Maria.











