Escala Global

Primeiro ano de Leão XIV. Papa é "ativista convicto da paz", diz patriarca

08 mai, 2026 - 10:00 • Alexandre Abrantes Neves , Lara Castro (vídeo) , João Campelo (sonorização)

Em entrevista à Renascença, D. Rui Valério vê em Leão XIV um "baluarte de esperança e equilíbrio", que se tornou num "porto de abrigo" perante os conflitos da atualidade. Sobre as críticas de Donald Trump, considera que a autoridade moral do Papa sai reforçada: "A voz do Papa sempre foi tida em altíssima conta".

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No dia em que se assinala o primeiro ano de pontificado de Leão XIV, o patriarca de Lisboa considera na Renascença que o Papa se tem revelado um "ativista convicto pela paz” e que contrasta com o “deserto” que se vive atualmente, perante a multiplicação de conflitos no mundo.

A 8 de maio de 2025, o cardeal Robert Prevost apresentava-se ao mundo na varanda de São Pedro, em Roma, e escolhia a dedo as primeiras palavras como Papa: "Que a paz esteja com todos vós".

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Um ano depois, D. Rui Valério volta a utilizar a palavra “esperança” para caracterizar Leão XIV e o trabalho de promoção da paz que tem feito junto dos católicos, mas também de “toda a Humanidade e todo o mundo”.

“Esta aliança, esta ligação como a paz, é qualquer coisa que o tem acompanhado ao longo dos tempos. Mesmo em jovem, o Papa era – que se me perdoe a expressão – um convicto ativista a favor da paz no mundo”, afirma no programa Escala Global. “É alguém que não apenas fala e pensa a paz, não apenas tem um pensamento estruturado e com efeitos práticos acerca da paz, mas, sobretudo, ele encarna aquilo que é a paz”.

Na leitura do patriarca de Lisboa, as viagens apostólicas do Papa têm mostrado o espírito que herdou do trabalho como missionário agostiniano e têm relevado “mensagens proféticas” – desde logo, porque escolheu destinos inéditos (como o Mónaco ou a Argélia), mas também porque se tem esforçado por ser uma voz de alerta dos grandes problemas e angústias do ser humano.

“Não é de todo descabido falarmos de um missionário da Humanidade para o ser humano. O que ele contou acerca do que viu, do que testemunhou, do que presenciou na prisão na Guiné-Equatorial. Aquilo foi um testemunho: era a Humanidade a ver o que estava a acontecer num contexto e num clima tão adverso, e isso foi maravilhoso. Portanto, um missionário, sim”.

Todos estes momentos são provas, diz D. Rui Valério, de que Leão XIV se tornou num “baluarte de dignidade” e que é “fonte de equilíbrio”, perante o ritmo frenético da atualidade e os retrocessos que se assistem diariamente.

“Vivemos um deserto neste momento. Somos surpreendidos com coisas que aqui há 20, 30 anos era impensável, era inimaginável que acontecessem. E o Papa é como um porto de abrigo, para nós ocidentais da Europa, assim como para as pessoas do Médio Oriente e outras geografias e latitudes. Uma referência permanente e pujante”, vinca.

Puxando a fita atrás mais de 50 anos, D. Rui Valério faz uma retrospetiva do cunho deixado na Igreja pelos mais recentes pontífices, desde a “intervenção de João Paulo II no Golfo” até à influência de Bento XVI “junto das elites” e às “multidões” de Francisco. De Leão XIV, considera que os últimos 365 dias já permitiram ao Papa emergir como uma nova figura de autoridade moral – e que até sai reforçada perante os recentes apelos ao fim do conflito no Médio Oriente e as críticas de Donald Trump.

“A voz do Papa foi sempre tida em altíssima conta. Ele tem sido para todos nós uma espécie de âncora e essa âncora, eu aqui diria, está fundeada não apenas nas suas convicções, mas está fundeada na grandeza da sua fé”.

Já o comentador residente, Manuel Poêjo Torres, vê em Leão XIV um exemplo de amor para a humanidade – e que não sai reduzido apesar das críticas das últimas semanas de Donald Trump.

“O mundo está cada vez mais preenchido de amores próprios e egocêntricos. E o que o Papa disse na sua missa inaugural foi que é preciso ouvir e pensar a paz noutros termos, quando o mundo parece dividido entre um homem que ama e outro que procura a própria humilhação para chegar ao amor de Deus. E claro que nós estamos a falar do Papa Leão XIV e Presidente Donald Trump”, remata.

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