Entrevista a D. Virgílio Antunes
Com ou sem Grupo Vita, combate aos abusos na Igreja "é um trabalho que não se encerra"
23 mai, 2026 - 08:00 • Ângela Roque , Henrique Cunha
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa diz que a Igreja está "preparada e desejosa para receber" o Papa Leão XIV em Portugal, "esperando que seja o quanto antes". Este é um excerto de uma grande entrevista à Renascença do novo presidente da CEP que será transmitida na íntegra na próxima quarta-feira, 27 de maio, com outros temas em destaque.
O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Virgílio Antunes, diz que "não há uma data" para decidir o futuro do Grupo Vita.
Em entrevista à Renascença, o também bispo de Coimbra garante que o combate aos abusos "é para continuar".
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O Grupo Vita apresenta este sábado um relatório estratégico, com diretrizes para a Igreja reforçar a prevenção dos abusos e melhorar os processos de reparação, mantendo-se a dúvida sobre se irá continuar em funções depois de junho, altura em que termina o mandato de três anos
O presidente da CEP não estabelece um timing para uma decisão sobre o Grupo Vita, mas deixa uma garantia: a Igreja Católica não vai baixar a guarda no combate ao flagelo dos abusos.
“Não há uma data. Não há uma data nem tem de haver. Os bispos reúnem-se em junho, mas não significa que fique em junho totalmente definido. No fim de junho, tudo aquilo que vai ser o futuro deste trabalho. Que é para continuar, com certeza, que não pode diminuir na sua intensidade, mas o modo é que não está definido ainda”, afirma D. Virgílio.
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Apesar de reconhecer "mérito" ao trabalho desenvolvido pelo Grupo Vita, o presidente da CEP reforça que nada está decidido sobre a sua continuidade em funções do organismo, mas, assegura que, seja qual for a opção que os bispos venham a tomar, o foco será sempre garantir uma Igreja segura para todos.
“Isto é um trabalho que não se encerra, nem se realiza, porque é preciso mudar perspetivas, mentalidades, modos de estar, de se relacionar. São precisos códigos de conduta, não só que sejam elaborados num papel, mas que as pessoas assimilem e interiorizem, todos os que são intervenientes na ação pastoral da Igreja, sejam os ministros ordenados, sejam os leigos que trabalham na ação pastoral da Igreja. Porque nós queremos uma Igreja segura para todos e em que todos. Chegar a esta capilaridade de todas as comunidades e de todas as pessoas não é um processo simples, evidentemente."
De acordo com o presidente da CEP, onde há acordo é em relação às comissões diocesanas, que devem assumir cada vez mais responsabilidades nesta área depois de uma primeira fase de “quase de emergência no conhecimento e tratamento” dos casos de abusos na Igreja.
Compensações? “Praticamente, está tudo pago..."
Nesta altura, estão ainda a ser pagas as compensações financeiras às vítimas de abusos, com atrasos em nove casos, mais dois pendentes, sobretudo por razões burocráticas. O presidente da CEP garante que todos irão receber.
“Praticamente, está tudo pago aquilo que tinha sido acordado e que tinha sido definido. Pode haver um outro caso, por exemplo, ainda pendente do fornecimento do NIB, algum dado, porque nem todas as pessoas estão em Portugal, nem todas as pessoas têm a facilidade de contactos da mesma forma”, explica D. Virgílio Antunes.
Em relação às vítimas que não foi possível ouvir no prazo previsto, o processo continua em andamento.
“Esses últimos casos que já estavam incluídos, mas que não tinha sido possível ouvir as pessoas no tempo aprazado, naturalmente não se encerrou o processo, essas pessoas estão incluídas, já foram ouvidas pela Comissão de Instrução, têm estado agora na fase de atribuição das compensações”, sublinha.
“Igreja preparada e desejosa” para receber o Papa
Nesta entrevista à Renascença, o presidente da CEP diz acreditar na possibilidade da vinda do Papa Leão XIV a Portugal em 2027. “A Igreja está preparada e desejosa para receber o Santo Padre, como aconteceu com os seus antecessores”, afirma.
D. Virgílio Antunes considera importante o convite oficial do Presidente da República, António José Seguro.
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“Acredito [na visita do Papa]. Não conheço a agenda do Santo Padre. Ele sempre manifestou desejo de vir a Portugal, já antes destes convites terem seguido oficialmente. A Conferência Episcopal Portuguesa já dirigiu o seu convite oficial, o senhor Presidente da República tomou a mesma atitude. É um belíssimo augúrio”, sublinha.
O bispo de Coimbra afirma que “a Igreja e a sociedade portuguesa, em geral, têm muito gosto em receber o Santo Padre Leão XIV” e recorda que 2027 “é uma data significativa tanto pelos 110 anos das Aparições, a canonização de Francisco e Jacinta Marto, os 500 anos da Nunciatura e do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Santa Sé”.
D. Virgílio Antunes valoriza, também, a “disponibilidade total” do núncio apostólico em facilitar o processo de uma eventual visita de Leão XIV a Portugal.
“O Papa vai a Espanha agora. Vai a França em setembro, depois não sabemos o que está por ali. Para nós, seja qual for a ocasião é boa, esperando que seja o quanto antes”, diz o prelado.
Este é um excerto de uma entrevista à Renascença do novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, que será transmitida na íntegra na próxima quarta-feira, 27 de maio, com outros temas em destaque.











