Leão XIV em Espanha
Papa aos católicos, no Estádio Bernabéu: "Hoje a Igreja de Madrid marcou um golaço para sempre"
08 jun, 2026 - 19:48 • Aura Miguel (enviada a Madrid)
Perante 70 mil pessoas que encheram a casa do Real Madrid, Leão XIV afirmou que é preciso "reaprender a arte espiritual da cordialidade" e “para chegar ao coração da cidade, devemos cultivar a consciência de que a verdade é sinfónica e transcende-nos sempre".
“Contigo, Leão, um só coração”, foi uma das palavras de ordem que fizeram vibrar o estádio Santiago Bernabéu, em Madrid. Acolhido em plenos pulmões por mais de 70 mil pessoas de todas as idades, o Papa presidiu a um encontro festivo que decorreu ao final da tarde desta segunda-feira.
O encontro incluiu vários testemunhos, música e vídeos sobre diferentes as realidades da Igreja nesta arquidiocese, com cerca de 3,5 milhões de católicos. E não faltaram divertidos momentos de humor relacionados com o futebol que fizeram o Papa rir à gargalhada. E, quando chegou o momento de discursar, antes de ler o texto preparado, Leão XIV improvisou: “Para um jogador, marcar um golo neste estádio, é algo que marca a sua vida. Mas D. José [voltando-se para o cardeal arcebispo madrileno, sentado a seu lado], hoje a Igreja de Madrid marcou um golaço para sempre!”. O estádio quase foi abaixo com aplausos.
“Para chegar ao coração da cidade, devemos cultivar a consciência de que a verdade é sinfónica e transcende-nos sempre”, disse Leão XIV. “Nas grandes cidades, mais do que noutros locais, por vezes sentimos que já não temos os mapas para nos orientarmos em segurança. Então, precisamos de reaprender a arte espiritual da cordialidade, sem a qual até o anúncio do Evangelho corre o risco de se tornar uma repetição impessoal e, perdendo a sua eficácia, abre espaço para a frustração e a desconfiança”.
O Santo Padre lembrou que “Madrid é uma grande cidade onde coexistem diferentes tradições e 'almas'. Deus conhece o coração de cada um dos seus habitantes individualmente. Ele conhece-os como só Ele conhece e pode, isto é, no amor e, portanto, na liberdade. Ele é misericórdia infinita e quer que todos sejam salvos”.
Para chegar ao coração da cidade, devemos cultivar a consciência de que a verdade é sinfónica e transcende-nos sempre
Depois, desafiou os católicos a desinstalarem-se: “Tende confiança no facto cada vez mais evidente de que é possível regressar à fé ou conhecê-la pela primeira vez na vida adulta. Estejam prontos para abraçar os novos começos não como exceção, mas como regra da missão”.
E, para se evitar burocracias, esclareceu que “investir nos conselhos paroquiais e diocesanos tem um objetivo nada mais nada menos do que transformar a sensibilidade de cada indivíduo através de uma escuta mais profunda do que o Espírito diz à Igreja. Seria uma pena reduzi-los a meras formalidades burocráticas”.
Leão XIV alertou ainda para “o risco de se reduzir a vida eclesial a uma rotina em que todos permanecem fechados nos seus hábitos e papéis”. Nesse caso, “o que nos falta é o Espírito”, acrescentou. “O Espírito desperta vocações e une-as, provocando por vezes agitação, debate e a procura de novos equilíbrios. Não se assustem com tudo isto; acolham-no e disfrutem”, recomendou Prevost.
Por fim, o Santo Padre convidou os cerca de 70 mil católicos presentes neste encontro ao acolhimento, bondade e missão. ”A bondade, mesmo de poucos, pode vencer o medo de muitos. Sejam, para todos, como uma Bíblia aberta, ou seja, que a Palavra de Deus se encontre nos vossos rostos e nas vossas vidas. O amor, de facto, é a linguagem que faz com que todos se sintam em casa”.
[notícia atualizada às 19h50]











