Festival Tribeca Lisboa
As filas melhoraram, mas os transportes não. O Tribeca tanto serve para um plano de família como “para ver uma TED Talk”
18 out, 2024 - 23:23 • Alexandre Abrantes Neves
Muitos vieram para ver Ricardo Araújo Pereira e Whoopi Goldberg, outros tantos chegaram só mais tarde para os concertos. Há quem se queixe dos autocarros, mas também quem diga que as filas não são problema. O primeiro dia do Tribeca Lisboa começou tímido, mas com avaliação positiva pelos visitantes.
Uma hora depois da abertura de portas, eram raros os visitantes que se viam a passear pelas bancas montadas para a primeira edição do Tribeca Lisboa – explicou depois, Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa e responsável pela organização, que “as primeiras sessões de cinema da manhã ficaram cheias e que as pessoas estavam nas salas”.
O movimento começou a ser visível entre os prédios de tons pastel pelo meio-dia, já o sol tinha vencido o céu nublado e os principais protagonistas começavam a chegar de “buggy” aos palcos do festival.
O fim da primeira “talk” – entre os dois fundadores, o ator Robert de Niro e a produtora de cinema Jane Rosenthal – levou a que as centenas de pessoas presentes na tenda principal se encaminhassem em poucos minutos para a zona de restauração.
As filas que se formaram, e que se arrastavam até à parte de fora dos restaurantes montados no recinto, iam atrasando quem achava que o almoço ia ser rápido, mas entre quem esperava para pedir e pagar a refeição, a convicção era a de que “isto vai andando”.
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João Maria chegou já praticamente não havia filas, ao início da tarde. No seu caso, o problema foi outro – os transportes.
“Eu moro na parte ocidental da cidade e era mais ou menos o mesmo tempo do que vir de transportes públicos ou a pé – 40 minutos. Confiei no 742, mas temos rotas de autocarro muito grandes, parámos em muitos sítios. Neste caso, prejudicou-me”, explica.
Acabou por assistir a várias palestras no palco principal e esperava ansiosamente pelo concerto do Samuel Úria – “é por ele que me movo, não aproveitei tanto como festival de cinema”.
Ao lado, está Maria, também na casa dos 30 anos, e que não é novata nestas andanças.
“Já fui ao de Nova Iorque, mas o nosso é melhor [risos]. Tem tudo para ser incrível, o ambiente está muito bom, o público está muito responsivo. Agora é ver os concertos”.
Para Maria – e para quase todos os que vamos encontrando –, o ponto alto do dia foi a conversa entre Whoopi Goldberg e Ricardo Araújo Pereira.
A entrada gratuita a partir das 19h30 trouxe muita gente ao recinto. Margarida Machado foi uma dessas pessoas – veio com os pais e ficou “com pena” de não ver Ricardo Araújo Pereira. É a primeira vez no Beato Innovation District, muito à boleia do pai Gonçalo, que até agora está bem impressionado e espera não ficar desiludido.
“A minha mulher falou do festival e viemos ver como é isto à noite e estou a gostar do espaço, da iluminação. Tenho algum medo das filas do jantar, toda a gente tem, mas espero ouvir um bom concerto e ficar bem-disposto”.
Entre as pessoas que vão desfilando no enorme e longo corredor desde a entrada até à zona dos concertos, raras são as pessoas que compraram bilhete – metade veio com convite, os restantes aproveitaram as horas grátis do evento, no primeiro de dois dias de festival onde a organização estima 1.500 pessoas presentes.
Muitos vêm com família, outros com amigos e alguns apenas para aprender. Milene ficou “agradavelmente” surpreendida – tanto no ambiente, como no conteúdo.
“Está imensa gente e dou nota positiva ao ambiente – é uma boa mistura de pessoas. As palestras no palco principal foram mesmo muito interessantes, pareciam uma ‘TED Talk’, nem parecia que estávamos em Portugal. Espero que continue no segundo dia”, remata.
Este sábado, estão previstas mais sessões de cinema, debates e conversas, gravações ao vivo de episódios de podcast, exibições de filmes e séries e concertos - Dino d’Santiago, Diana Castro e Blaya são alguns dos nomes que vão passar pelos palcos. O programa do Tribeca Lisboa está disponível aqui.






