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Mostra Estufa leva circo contemporâneo ao Teatro Campo Alegre

27 nov, 2024 - 07:00 • João Malheiro

O curador da Mostra Estufa conta que há uma abordagem experimental do ponto vista quer técnico quer estético e um "cruzamento muito importante com as outras áreas, como as artes plásticas e a música ao vivo".

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A sétima edição da Mostra Estufa, que traz três instalações de circo contemporâneo, decorre nos dias 29 e 30 de novembro, no Teatro Campo Alegre, no Porto.

Com o mote de ir da "individualidade até ao coletivo", a Mostra Estufa conta com uma trilogia sequenciada de espetáculos que vão decorrer em três espaços distintos do equipamento artístico-cultural: Sala-Estúdio, Café-Teatro e no Grande Auditório.

À Renascença, Vasco Gomes, da direção artística da Mostra Estufa, aponta que o público pode esperar três projetos "bastantes distintos em termos estéticos".

"É, por si só, uma experiência interessante. O público vai circular entre três espetáculos diferentes, o que também permite conhecer o próprio Teatro, para quem não conhece estas salas", refere.

O curador da Mostra Estufa diz que há uma abordagem experimental do ponto vista quer técnico, quer estético e um "cruzamento muito importante com as outras áreas, como as artes plásticas e a música ao vivo".

O primeiro espetáculo é “Cafelina”, da autoria da argentina a residir em Portugal Lucía Merlino. Trata-se de um poema escrito com imagens de café, que trará "um cruzamento muito interessante" entre acrobacias e as artes plásticas, indica Vasco Gomes.

“Quem Anda ao Sol”, da dupla constituída por Felipe Contreras e Miguel Brás, um chileno e um português, coloca em palco mais um projeto nacional. Aborda a questão da individualidade e de como os seres humanos ultrapassam as adversidades: no plano solitário ou partindo para uma dimensão da partilha, ou, por assim dizer, para um plano mais gregário. "Tem um lado muito experimental entre o malabarismo e a música ao vivo", garante o curador da Mostra Estufa.

“Chapitre 2: Ainsi Rugissent Les Fleurs”, uma criação da ‘quadrilha de assaltantes do mastro chinês’ composta por Flavia Slavi, Jessica Ramon, ambas de Itália, bem como por Kinane Srirou, franco-marroquina, e ainda pela catalã Laia Planell. É a primeira vez que uma companhia internacional apresenta um trabalho na Mostra Estufa.

O projeto resultou de uma open call à qual responderam intérpretes de circo contemporâneo de diversos países cujo imperativo primordial seria o de permanecerem em regime de residência artística em Portugal e apresentarem, para lá do trabalho final em sala, um ensaio aberto ao público. Para Vasco Gomes, trata-se de procurar "uma harmonia que rapidamente se desconstrói em caos".

O curador da Mostra Estufa realça que "há público para circo contemporâneo e nem sempre conseguimos dar este espaço aos projetos", o que acaba por valorizar este tipo de eventos.

"Será muito importante esta lógica de termos sempre os espaços adequados. Não são espetáculos que possam ser apresentados num espaço público ou tenda. Precisam de palcos para crescerem e serem apresentados. E o público também quer, com certeza, ver este tipo de circo", considera.

"O circo tradicional tem de ter o seu lugar obviamente, mas também temos de ter as outras roupagens de circo, com espaço e impacto. É importante de dar oportunidade à diversidade de técnicas de circo", defende, ainda.

Já esta quinta-feira, dia 28, o grupo do projeto de intervenção Q-Circo irá realizar uma visita guiada ao Teatro do Campo Alegre e assistir ao ensaio geral.

A Mostra Estufa apresenta, depois, duas sessões distintas ao público. A primeira é esta sexta-feira, dia 29 de novembro, às 19h30. A seguinte é este sábado, dia 30, no mesmo horário.

Os bilhetes têm o custo de sete euros.

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