Asteróide vai provocar o fim do mundo? Provavelmente só nos filmes

21 fev, 2025 - 10:39 • João Malheiro

O cinema costuma ter uma visão catastrofista da colisão de um astro com a Terra. De blockbusters dos anos 90 a comédias do século XXI, a Renascença olha para o que os filmes nos têm ensinado sobre asteróides.

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Na semana passada, a NASA subiu o nível de probabilidade de colisão do asteróide 2024 YR4 com a Terra, o que causou algum sobressalto.

Será que pode mesmo acontecer? A verdade é que o choque, que poderia dar-se em 2032, até agora não chegou a ter uma possibilidade mais alta que 3,1%. Mais: na atualização desta terça-feira, a Agência Espacial Europeia (ESA) adianta que a probabilidade desceu para 0.001%.

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Se, de facto, acontecesse, a NASA refere que o impacto do asteróide — que tem entre 40 a 90 metros de diâmetro — podia provocar grandes danos a uma cidade inteira, mas apenas na zona de impacto.

Mas se as mais recentes notícias são motivo de alívio para o mundo real, para o cinema aplica-se a máxima de não deixar a realidade estragar uma boa história. Na ficção, uma ameaça deste calibre é quase sempre sinal de evento catastrófico global, à semelhança do que terá acontecido com os dissonauros (ou até pior), há milhares de anos.

A Renascença fez um curto exercício de recordar o que os filmes nos ensinam sobre uma potencial colisão de um asteróide na Terra. Apesar de abordarem o tema de forma distinta, todos produzem a mesma conclusão: seria o fim do mundo — e nem sempre há um Bruce Willis para nos salvar.

A chuva de astros de 1998

Uma das críticas mais vezes repetidas contra Hollywood, nos dias de hoje, é a falta de originalidade. Por vezes, ficamos com a ideia de que muitos filmes são iguais ou, pelo menos, têm ideias semelhantes.

Mas o que é que terão sentido os espectadores, em 1998, quando, no espaço de dois meses, foram lançados nas salas de cinema dois filmes sobre um asteróide que vai destruir o planeta a não ser que uma equipa especializada o destrua no espaço?

Falamos de "Impacto Profundo", realizado por Mimi Leder, com Robert Duvall, Morgan Freeman e Téa Leoni, e "Armageddon", de Michael Bay, com Bruce Willis, Liv Tyler e Ben Affleck.

Em "Impacto Profundo", um cometa de 11 quilómetros de diâmetro ameaça acabar com toda a vida na Terra. Uma primeira tentativa de usar explosivos nucleares na superfície do objeto espacial resulta na sua divisão em dois asteróides distintos.

O mais pequeno atinge a Terra e provoca um tsunami gigante, levando à destruição da costa Este dos EUA e à morte de milhões de vítimas. Contudo, a metade maior, que levaria ao fim do mundo em definitivo, é destruída a tempo.

Já o asteróide de "Armageddon" tem um tamanho muito mais generoso de mil quilómetros de diâmetro e, claro está, pode destruir o mundo. Outros pequenos meteoros atingem e destroem cidades um pouco por todo o mundo.

A missão é completada com sucesso, se bem que com sacrifícios, antes que o asteróide principal colida com a Terra.

De facto, em caso de impacto iminente com a Terra, há várias estratégias para desviar ou destruir um asteróide. E, sim, tal como nos filmes — contudo, de forma distinta — uma explosão nuclear é uma opção válida.

Quanto ao duelo espacial de 1998, a comunidade científica considera "Impacto Profundo" mais verossímil, porém foi o mais bombástico "Armageddon" a ficar na memória e, ainda hoje, a ser recordado como um dos grandes blockbusters dos anos 90.

A metáfora para a crise climática

De certa forma, "Não Olhem Para Cima" é a antítese dos filmes que acabamos de referir. Isto porque a longa-metragem de Adam McKay demonstra o que acontece quando a humanidade falha em impedir o fim do mundo.

A sátira produzida pela Netflix e protagonizada por Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Cate Blanchett e Meryl Streep é, na verdade, uma metáfora para as alterações climáticas e a forma como a sociedade ignora os avisos científicos de um perigo iminente.

É por isso que, ao contrário dos heróicos Robert Duvall e Bruce Willis, não há alguém em "Não Olhem Para Cima" que consiga rebentar com o asteróide de dez quilómetros de diâmetro antes que colida com a Terra. Pelo contrário, a Casa Branca, incentivada por um multimilionário da tecnologia (o filme saiu quatro anos antes de Trump colocar Musk na sua administração), até tenta explorar economicamente o astro, o que acaba por correr mal.

Enquanto os cientistas pedem que algo seja feito, grande parte da população acredita em "fake news" — que chegam até a negar existência do astro, apesar de ele ser visível do céu.

No final, o planeta é mesmo destruído e, praticamente, toda a vida na Terra desaparece — com a exceção de Jonah Hill.

O horror e o humor do fim do mundo

Neste raio-X pelo cinema asteróide, as longas-metragens já mencionadas são os exemplos mais conhecidos, mas realçamos, ainda, duas outras propostas entre o terror e a comédia.

"A Noite do Cometa" é a proposta com menor orçamento desta lista, porém com estatuto de culto. O filme de 1984 traz notícias positivas: afinal, o asteróide não colide com a Terra, apenas passa por ela. O único problema é que deixa partículas no ar que leva pessoas a transformarem-se em zombies.

A aventura pós-apocalíptica é encabeçada por Catherine Mary Stewart e Kelli Maroney, que interpretam irmãs adolescentes. As suas prestações acabaram por influenciar a personagem de Buffy Summers na série icónica "Buffy, Caçadora de Vampiros".

Já "Até Que o Fim do Mundo nos Separe" é uma proposta abertamente cómica. Steve Carrell e Keira Knightley fazem um par improvável que acaba por se apaixonar, depois de o mundo descobrir que vai sofrer a colisão inevitável de um asteróide com mais de 100 quilómetros de diâmetro.

Apesar de ser o filme mais humorístico de todos os referidos, é também aquele que mais questiona o nível de pânico que a sociedade sentiria com a notícia do fim do mundo e as formas absurdas que encontraria para reagir a tal coisa. E sim, no fim, o asteróide bate mesmo na Terra e o mundo (mais uma vez) acaba.

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