Entrevista Renascença
Cantora americana Dee Dee Bridgewater: Leão XIV é um Papa "sem medo"
24 mai, 2025 - 12:26 • Maria João Costa
É um dos nomes maiores do jazz norte-americano. A cantora Dee Dee Bridgewater sobe ao palco do CCB este domingo, num concerto com uma banda exclusivamente feminina. À Renascença fala sobre o clima de esperança que o novo Papa norte-americano trouxe.
Já foi embaixadora da Boa Vontade da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. A cantora de jazz norte-americana Dee Dee Brigdewater que atua domingo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, considera que “vivemos tempos muito caóticos” e considera que o novo Papa é um homem "sem medo".
A vencedora de três Grammys diz que o mundo precisa de “sentir esperança, amor, compaixão, empatia, compreensão”. Em entrevista à Renascença, a partir da sua casa nos Estados Unidos, a cantora afirma mesmo que “todos precisamos de ser vistos”.
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“Eu quero levar tudo isso para o palco e quero que as pessoas sintam que estou com elas, seja que noite for e em que palco for. Quero que saibam que as vejo e as sinto”. É com este sentimento que chega a Lisboa para um concerto em que vai partilhar o palco com uma banda exclusivamente feminina.
“We Exist” é nome da tournée que traz Dee Dee Brigdewater a Portugal. Afirma que o nome não é por acaso. É claramente uma “afirmação”.
“Nós mulheres existimos na cena artística do jazz, existimos como seres humanos, existimos a todos os níveis em que as mulheres devem existir”, aponta.
Em palco quer destacar isso mesmo. “Ao trazer uma banda toda feminina vamos trazer outra sensibilidade para a música, mas também para a mensagem. Vou cantar músicas que são relevantes do ponto de vista social e da sua consciência. São algumas músicas do passado quando eu era ativista, mas que continuam a ser relevantes hoje”, explica.
A cantora que também foi consagrada com o Tony Award, em 1975, pelo seu papel na produção da Broadway de ‘The Wiz’, explica ao Ensaio Geral da Renascença o que sente em palco ao partilhar essa energia feminina que traz a Lisboa.
“Estou com seres humanos que são do mesmo género do meu e que têm a mesma sensibilidade que eu e que são artistas extraordinárias. Claro que a camaradagem é muito diferente. Podemos falar sobre assuntos que todas conhecemos e isso é ótimo, mas também adoro a sensibilidade feminina no palco. Sinto que a nossa comunicação é mais profunda”.
Também é de comunicação que Dee Dee Bridgewater fala quando lhe perguntamos pelo novo Papa de origem norte-americana. A cantora, baptizada e “católica não praticante”, considera que o novo Papa Leão XIV já está a marcar pelo seu discurso.
“Este Papa americano escolheu o nome Leão. O outro Papa Leão era contra o racismo. Ele condenava-o. Este Papa tem já feito declarações muito claras nos seus discursos. Ele disse algo do género, estamos “woke”…ele usou o termo “woke” que é uma coisa que esta atual administração americana é completamente contra!”
Considerando Leão XIV um Papa jovem em idade, Dee Dee Bridgewater vê nele um lado de esperança. “Gosto dele! Não sou uma católica praticante, mas fui baptizada e já trabalhei com o Vaticano. Por isso, estou satisfeita. Gosto de onde ele vem e claramente é um homem sem medo”, remata.
A artista de jazz norte-americana atua em Lisboa, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém já este domingo, pelas 17h00.








