O que esperar da Netflix em 2026? Fomos a Madrid descobrir
29 jan, 2026 - 15:00 • Daniela Espírito Santo
Serviço de streaming apresentou as suas propostas para o mercado ibérico num evento marcado pela presença de diversas estrelas espanholas. Entre as novidades, mais uma aventura em Rabo de Peixe, novas temporadas de séries como One Piece ou Berlim, e documentários sobre a ETA ou Rafael Nadal. Espreitamos ainda os primeiros minutos do filme de Peaky Blinders e os primeiros momentos da nova "season" de Bridgerton.
A Netflix apresentou, na semana passada, as suas principais propostas para o mercado ibérico em 2026, num evento onde estiveram presentes várias das estrelas espanholas que dão corpo aos principais sucessos no país vizinho. A Renascença esteve presente no evento em Madrid, a convite do serviço de streaming, e ficou a saber o que esperar nos próximos meses, entre estreias, regressos e surpresas.
"What Next?". É esta a pergunta a que a Netflix se propõe responder, em jeito de quem vislumbra o futuro no tarot. A previsão é feita numa espécie de baralho de cartas com um naipe alusivo às grandes apostas do streaming para este ano. Ficamos, assim, logo a saber parte do que nos espera lá dentro: Lupin, Berlim, Rafa ou Bridgerton recebem-nos à porta do evento, que decorreu à porta fechada na capital espanhola... mas a maioria dos detalhes partilhados ficam, para já, no segredo dos deuses. Contamos tudo o resto nos próximos parágrafos.
Não podemos filmar, nem fotografar mas, lá dentro, a sala - cheia -, fica totalmente em silêncio quando a apresentadora Patricia Conde inicia o evento com uma homenagem às vítimas dos acidentes de comboio que colocaram Espanha de luto.
Os primeiros cinco minutos de "Peaky Blinders"
Sobre as principais estreias internacionais pouco podemos contar. De Lupin, por exemplo, podemos apenas adiantar que regressa aos roubos (ficcionais!) em Paris algures no Outono. Já com Peaky Blinders temos melhor sorte: fomos presenteados com os primeiros cinco minutos do filme "O Homem Imortal", uma das apostas do serviço para 2026 (de que já falamos no podcast Watch Party).
Sem grandes "spoilers", podemos adiantar que voltamos a Birmingham e estamos agora - e como já se adivinhava no final da última temporada - no "coração" da Segunda Guerra Mundial, pelo menos sete anos após a data em que deixamos Tommy Shelby. E mais não dizemos, para não revelarmos muito do início explosivo de "O Homem Imortal", que deverá estrear-se a 20 de março.
Também não daremos mais que pistas quanto ao clipe exclusivo exibido na sala sobre a nova temporada de Bridgerton, mas podemos avançar que os presentes conseguiram ver as primeiras imagens do casal e da "dama prateada", que o mundo vai conhecer já esta quinta-feira.
"El Problema Final", a série de época com José Condessa
Numa altura em que o serviço de streaming celebra a sua primeira década por Portugal e Espanha, notam-se os efeitos da forte aposta, sobretudo no país vizinho. Muitos são os títulos a sair do estúdio montado em Madrid, mas também é possível ver que a Netflix andou a passear pelos quatro cantos de Espanha, com gravações na Galiza, Sevilha ou Lloret de Mar, por exemplo. Mas disso falaremos mais à frente. Antes, é altura de falar de "El Problema Final", uma minissérie baseada no "bestseller" de Arturo Pérez-Reverte, e onde participa o português José Condessa.
Em palco não aparece Condessa (que já tinha contado mais sobre o projeto à Renascença, em Nova Iorque), mas surgem os protagonistas Jose Coronado, Maribel Verdú e Martiño Rivas, que destacam a beleza da paisagem de Lloret, onde gravaram, mas também a estética da série de época, passada nos anos 60.
Coronado, um dos atores mais reconhecidos de Espanha, mostra-se feliz pela oportunidade de "explorar o pensamento crítico" da personagem, Hopalong Basil e brinca com a sua veia de Sherlock Holmes. "Aproveitei a minha cara de chefe de polícia", salienta, em tom de brincadeira.
Maribel Verdú, por sua vez, continua em palco para apresentar mais uma série: "Gracias, Equipo", uma comédia de humor negro ao estilo "The Office" vai chegar à Netflix brevemente e foi apresentada também por Raúl Tejón, uma das estrelas de "Machos Alfa", que tem sido um sucesso no país vizinho, mas também em Portugal. Sobre a série, que retrata um "team building" de empresa que correu mal, Verdú adianta que deu origem a uma rodagem "muito divertida". "Quando o despertador tocava sabias que te esperava algo incrível. Quem me dera trabalhar todos os dias com estes colegas. Foi uma maravilha", declarou.


Salvador: a história de um pai que perde a filha para neonazis
O tom mudou com a apresentação da série que se seguiria. E não era para menos: "Salvador", representada na sala por Luís Tosar e Cláudia Salas, conta a história de um condutor de ambulâncias que descobre que a filha integra um grupo extremista chamado White Souls.
Quando a filha morre num confronto entre "Ultras", Salvador, interpretado por Luís Tosar, decide investigar o seu envolvimento com o grupo neonazi. A série, que se estreia a 6 de fevereiro, tem por objetivo, diz o ator, colocar o público a pensar. "Queremos que as pessoas participem no exercício do Salvador", diz Tosar, que quer que a série nos faça pensar sobre o que leva as pessoas até estes grupos extremistas quando "procuram um lugar de pertença".
Também Cláudia Salas espera que as pessoas "reflitam" sobre o tema da série e que esta ajude a "entender o fenómeno". "Oxála nos entretenha, mas também ajude a enfrentar a problemática", espera a atriz, que assume que a minissérie de oito episódios a colocou "em situações limite" de uma forma "muito desafiante".
Da violência doméstica à dor da perda de um neto
Situação limite é, certamente, o nome do meio de outra minissérie que também causou muita expectativa na sala: "El Crimen de Pazos", gravada na Galiza, fala de violência de género e acontece em contrarrelógio, enquanto um guarda civil tenta encontrar provas - e enfrenta a burocracia - para tentar impedir que a pessoa que colocou uma mulher nos cuidados intensivos consiga terminar o que começou. Será que chegará a tempo? Tristán Ulloa, que dá vida a Eliás nesta série de "true crime", não revela muito mais, mas promete continuar a fazer mais trabalhos para o serviço de streaming para honrar o nickname de "Chico Netflix" que recebeu da plateia (haveria de subir a palco mais vezes para apresentar outras participações suas, em Berlim, Lobo e Em Nome de Outro).
"Acordo de manhã e o meu alarme é o Tudum", disse, a brincar.
Do outro lado do espectro da dor surge "El Niño", a história de um avô que perde o neto, vítima de uma explosão no País Basco nos anos 80, mas que se recusa a abandonar a memória da criança. "Ele é um avô que vive por e para o seu neto", explica, em palco, Karra Elejalde, que dá corpo ao enlutado.
"Ele acredita que os mortos podem seguir vivos se não os esquecermos", diz. Em palco com ele Belén Cuesta, a mãe da criança "fantasma", mostra-se "impactada" pelo papel que interpreta. "É tudo muito impactante, a forma como esta mulher explora a sua capacidade de seguir em frente, sobreviver... e contar a dor com muita vida", narra.
As primeiras imagens mostram isso mesmo: uma mãe que tenta lidar com a perda de um filho e com a ilusão de um pai, que se recusa a deixar de ser avô, levando o neto consigo para onde vai. A beleza da dor que reveste os gestos mais mundanos prometem fazer cair algumas lágrimas quando a obra sair, algures este ano.
Sevilha vira personagem na 2.ª temporada de Berlim
De uma ponta de Espanha para a outra, seguimos do País Basco para Sevilha onde encontramos uma das mais antecipadas temporadas: Berlim, o acarinhado spin-off d'A Casa de Papel, regressa para mais um golpe transformado em obra de arte. A sala ficou em silêncio a absorver o clip disponibilizado da série, que se estreia a 15 de maio e que mereceu a presença de vários atores em palco.
Tristán era - novamente - um deles, e fez questão de garantir que esta temporada é "mais divertida e luminosa". Com um elenco de luxo, garante o "chico Netflix", "esta temporada supera a primeira".
Sem - repetimos - muitos "spoilers", até para não estragar o efeito novidade, o elenco presente, que inclui ainda Inma Cuesta, Michelle Jenner e Joel Sánchez, admite que Sevilha funciona quase como uma personagem nesta segunda "season", mas levantam o véu ao que acontecerá ao papel que dá nome à série: uma mulher sevilhana vai irromper pela vida de Berlin "como um terramoto". O resto? Fica para resgatar em maio.
"53 Domingos" acabou por representar um dos momentos do evento graças a um episódio inesperado: no momento em que os atores Carmen Machi, Javier Gutiérrez e Javier Cámara estão em palco a apresentar esta comédia, a eletricidade falha em Madrid e os Javier's de serviço acabam a improvisar alguns momentos de humor com os presentes, a mostrarem todos os seus dotes vocais e teatrais para captar a atenção do público e a confirmarem o "ambiente familiar" que se criou entre o elenco desta comédia doméstica sobre três irmãos que se juntam para discutir a saúde do pai. Não conhecíamos, mas saímos daqui fãs de Javier Gutierrez.


Dois "Rafas" à conquista de Espanha (e do mundo)
Outra dupla homónima também colheu muitas atenção neste "What Next?" madrilenho. Afinal de contas, e por terras de Espanha, há dois nomes muito similares que despertam grandes paixões. O primeiro, mais recente, não esteve presente mais vai ter direito a documentário. Quem é Rafael Nadal e o que se esconde por detrás da lenda desportiva? É a isso que quer responder o documentário "Rafa", já anunciado em 2024 e que chega à Netflix este ano, prometendo contar a história do famoso tenista, um dos maiores desportistas da história espanhola.
Outro "Rafa", no entanto, causou mais comoção na plateia quando se juntou ao evento, para surpresa de quem estava presente. Falamos do cantor Raphael, um dos nomes mais icónicos da música espanhola, famoso desde os anos 60 pelas suas canções e atuações dramáticas. Foi um dos primeiros artistas vizinhos a conseguir projeção internacional e acabou por se tornar num símbolo cultural.
Aos 82 anos, e muito seletivo nas escolhas que faz para manter intacto o seu legado, Raphael admitiu já ter recebido muitas propostas para contar a sua história de vida, mas só agora sentiu que estavam reunidas as condições para o fazer.
"Queria assegurar-me que era uma coisa que me deixasse orgulhoso", admite o artista. Igualmente em palco, o realizador da série admite sentir-se "muito especial" por merecer a confiança do ídolo, nascida de "muitas conversas". O mérito, no entanto, diz, está no elenco que dará corpo a seis décadas de história da música espanhola e universal. "Os atores que me interpretam emocionaram-me muito", confessa o cantor, visivelmente encantado com a loucura de palmas que recebeu ao chegar e ao abandonar a sala.
A minissérie "Aquel" terá oito episódios e está a ser rodada um pouco por todo o planeta, ou não fosse contar a história de uma lenda da música latina.
Três novidades absolutas
Para o final, a Netflix deixou três novidades absolutas, ainda em produção: um deles é o thriller frenético "En Nombre de Otro", de Oriol Paulo, um "filme trepidante" sobre o qual os atores presentes admitem ser "quase impossível" contar o que quer que seja sem fazer "spoilers". "É que, a cada minuto, a trama dá a volta. É mesmo muito complicado de explicar. Nada é o que parece", relata Mario Casas.
Ainda no campo da ficção, mas com um pendor mais histórico ficamos a saber que a rodagem de "O Lobo" começou literalmente há duas semanas, na Galiza. Conta a história do primeiro assassino em série de Espanha, um dos primeiros da Europa, e, diz Tristán Ulloa (novamente em palco), passa em revista os "muitos mitos" que foram alimentados em 1850 sobre esta alfaiate itinerante e as "rocambolescas estratégicas usadas pela Defesa para o ilibar". Outro thriller, de época e mais psicológico, que também promete chegar em força a Portugal. "Algumas das cenas do guião assustam-me", admitiu Tristán, perante a única fotografia já conhecida deste "Lobo".
Finalmente, um documentário que promete relançar o debate sobre terrorismo doméstico, numa altura em que o mundo volta a ouvir esse termo. A base da trama surge no ano de 1997, altura em que, durante dias, Espanha esteve em alerta máximo e milhões saíram à rua para tentar impedir um assassinato. Miguel Ángel Blanco, um vereador de 29 anos, foi sequestrado pela ETA e esta morte, que se prolongou no tempo, levou a uma mobilização nunca antes vista na sociedade espanhola contra o terrorismo. "Miguel Ángel Blanco - Las 48 Horas que lo Cambiaram Todo" é apresentado como o relato deste "atentado em câmara lenta" que chocou o mundo e pretende explicar "como a sociedade basca perdeu o medo à ETA", marcando o princípio do fim daquela organização separatista.
Para 2026, a Netflix também tem ainda em carteira lançamentos como: Clans, Dead Inc, Rabo de Peixe, Machos Alfa, The Gentleman, That Night, Oasis, All the Truth About My Lies, The Map of Longings, Heartstopper Forever After, Price and Prejudice, My Dearest Mister, Firewall, The Unknown Woman, The Believers, Love is Dangerous, The Captive, The Truce, It's Always Winter ou Torrent President.
























