Entrevista Watch Party

"Podes confiar nos teus próprios olhos?" Temporada 3 de "The Capture" volta a questionar o mundo como o vemos

09 mar, 2026 - 17:00 • Daniela Espírito Santo , Inês Braga Sampaio

O "Watch Party" conversou com Ben Chanan, criador da série, e os atores Holliday Grainger e Ben Miles sobre a terceira temporada do "thriller" britânico, cujo primeiro episódio está disponível a partir desta segunda-feira na HBO Max.

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Se ver é enganar e ser enganado, no universo de "The Capture", o que acontece quando até as memórias deixam de bater certo? É essa uma das perguntas para as quais a agente Rachel Carey vai tentar encontrar respostas, na terceira temporada da série de "thriller" britânica.

Conspirações políticas, "deepfakes", Inteligência Artificial e a constante sensação de não se poder confiar nos próprios olhos formam o tecido de "The Capture", que em Portugal é transmitida pela HBO Max.

"Onde terminamos a temporada 2 e onde começamos a 3 é um salto para Carey e para os espectadores, porque não é onde pensávamos que ela poderia ter ido parar", antecipa a atriz Holliday Grainger, que interpreta a protagonista, em conversa com o podcast "Watch Party".

O criador da série, Ben Chanan, e o ator Ben Miles (Danny Hart) também participam nesta entrevista com o podcast de cinema e séries da Renascença, sobre uma temporada em que Carey "começa a sentir que a sua própria memória foi 'hackeada'" e até o público duvidará dela.

A terceira temporada de "The Capture", que começa um ano depois dos eventos da segunda, estreia-se esta segunda-feira na HBO Max, com lançamento semanal dos seis episódios. Holliday Grainger lidera um elenco composto por Ben Miles, Indira Varma, Paapa Essiedu, Ron Perlman, e a recente adição Killian Scott, entre outros. Os primeiros dois capítulos também podem ser vistos na plataforma de "streaming".


Qual é inspiração para três temporadas de uma série que é tão atual e também, de certa forma, tecnologicamente profética?

Ben Chanan [BC]: Bem, a inspiração para a primeira temporada foram as "fake news". Para a segunda temporada, foram os algoritmos. E se lançasses uma campanha política puramente ditada por um algoritmo?

Dentro do que posso revelar, a terceira temporada, francamente, foi inspirada por trabalhar com a Holliday e criarmos a personagem Carey juntos, e pela questão de que, nas outras temporadas, ela investigou sempre outras pessoas — desta vez, é ela que está sob investigação. É ela a pessoa cuja vida foi virada do avesso por algo que viu.

A agente Carey começa as primeiras duas temporadas a olhar de baixo para cima. Nesta, começa numa posição de liderança, mas, depois, a sua vida é virada do avesso. Como foi fazer essa volta de 180 graus com a personagem, Holliday?

Holliday Grainger [HG]: Sim, a caminhada dela nesta temporada é brilhante. Onde terminamos a temporada 2 e onde começamos a terceira é um salto para Carey e para os espectadores, porque não é onde pensávamos que ela poderia ter ido parar. Ela é comandante interina do SO15 e com ambição clara de se tornar comandante em definitivo.

Esta é uma série em que todas as personagens são moralmente ambíguas, incluindo Danny Hart. Num episódio, parece a pior pessoa do mundo e, no seguinte, com tantas reviravoltas, torna-se difícil não empatizar. Como se aborda uma personagem assim, como ator?

Ben Miles: Penso que, como ator, tens de pensar que todas as pessoas do mundo têm características que se opõem, que é o que as torna no que elas são. E os seres humanos podem fazer coisas pelas razões certas num dia e pelas razões erradas no dia seguinte. E Danny Hart é muito assim. Por isso, é como qualquer outra pessoa. Todos temos lados bons e lados maus.

Mas ele toma uma posição moral no final da segunda temporada, a escolha moral de sair de algo que percebeu que é corrupto e que opera por razões que ele não consegue aceitar. Mas é absorvido de volta na terceira temporada, quase irresistivelmente, por diversas razões.

É um papel interessante, na terceira temporada, porque Danny Hart não está a agir oficialmente em nome do Estado; de todo. É mais uma viagem pessoal, para ele, esta temporada, o que foi muito divertido para mim.


Ficamos mais paranoicos só de ver esta série, que é rica em "plot twists". Como é que se continua a surpreender os espectadores?

BC: Bem, eu enrolo-me todo [risos]. Não faço a coisa inteligente de definir o final em primeiro lugar e depois escrever tudo de trás para a frente, que é como se deve escrever um mistério ou um "thriller". Eu mergulho logo no início e ponho-me a jeito para uma forte dor de cabeça [risos], francamente. Mas acho que o gancho no final do primeiro episódio desta temporada é o melhor gancho que já tivemos.

As personagens estão agora em posições distintas daquelas em que estavam nas temporadas 1 e 2, mas como se mantém a premissa fresca?

BC: Mantenho as coisas frescas mudando a pergunta, por assim dizer. Na primeira temporada é: podes confiar no que vês nas imagens de videovigilância? A segunda temporada: podes confiar nas notícias? E a terceira temporada é: podes confiar nos teus próprios olhos? E desta vez, Carey começa a sentir que a sua própria memória foi "hackeada".

Primeiro não podemos confiar nos nossos próprios olhos, agora não podemos confiar na nossa própria memória. Certamente que não podemos confiar nos ecrãs. Como é para a agente Carey processar tudo isso e para a Holliday, como atriz, interpretar esse conflito?

HG: Carey é uma personagem que é muito segura de si mesma. Eu provavelmente sou muito fácil de enganar, mas ela não [risos]. Ela é alguém que sabe o que sabe e mantém-se sempre fiel a si mesma, mas também não tem medo, porque não quer viver segundo as expectativas dos outros. Adoro isso nela.

Ela deixa-te sempre em alerta, ao longo desta temporada, pela forma como se mantém sempre fiel a si mesma e às suas crenças, mesmo quando os espectadores começam a duvidar dela e tu começas a pensar que ela está a duvidar de si própria. Mas ela mantém-se sempre firme naquilo em que acredita.

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