Espaço
"Os embaixadores da humanidade junto das estrelas": Reveja o regresso da missão Artemis II à Terra
10 abr, 2026 - 23:41 • Catarina Magalhães
Reveja o momento histórico da chegada dos astronautas após a amaragem nas águas do Oceano Pacífico. A mais recente missão da NASA durou nove dias, uma hora, 33 minutos e 15 segundos para desvendar novos mistérios da Lua e do espaço.
A todo o gás. Depois de dez dias históricos pelo espaço, a tripulação da Artemis II regressou à casa-mãe, o nosso planeta Terra, em grande velocidade.
A missão foi bem-sucedida. Como previsto, a nave amarou à 1h07 (hora de Portugal continental) deste sábado nas águas do Oceano Pacífico. A chegada da cápsula Órion aconteceu na costa norte-americana de San Diego, na Califórnia.
Ao todo, a nova aventura da NASA durou nove dias, uma hora, 33 minutos e 15 segundos.
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Pelas 2h30 da madrugada deste sábado, a astronauta Christina Koch, a única mulher da tripulação da Artemis II, foi a primeira a sair da cápsula.
Segundo os médicos, os astronautas sentiam-se "ótimos e felizes por estarem em casa".
Já pelas 2h45, os quatro foram resgatados de helicóptero e, em cerca de dez minutos, chegaram ao navio de transporte para serem avaliados pelas equipas médicas.
Pouco mais de meia hora depois da amaragem, o administrador da NASA, Jared Isaacman, descreveu os astronautas como "os embaixadores da humanidade junto das estrelas".
"Não podíamos estar mais orgulhosos da tripulação. Foi uma missão perfeita"
Fora da órbita lunar desde o início da tarde desta sexta-feira, a cápsula atingiu uma velocidade máxima de “aproximadamente” 38.405 quilómetros por hora, ou seja, 10,7 quilómetros por segundo.
É fácil de entender: basta imaginar-se a cruzar num segundo apenas a distância entre a Torre de Belém ao Parque da Bela Vista em linha reta ou a ir dos Aliados ao Aeroporto Sá Carneiro.
Depois das últimas missões Apollo há 54 anos, os quatros astronautas voltaram cheios de memórias e imagens inéditas.
O momento mais crítico da viagem aconteceu a 42 minutos da amaragem: a reentrada na atmosfera terrestre.
Na fase de testes em 2022, o escudo térmico sofreu um inesperado desgaste durante a reentrada, mas os engenheiros da NASA ajustaram a trajetória de descida para reduzir o aquecimento e diminuir o risco de a cápsula se danificar.
Para evitar qualquer contratempo, Reid Wiseman, Victor J. Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen passaram grande parte do penúltimo dia no espaço a "dar uma volta" à casa temporária.
Arrumaram o equipamento e configuraram a cabine para o regresso ao planeta Terra, depois de andarem à volta da Lua.
Esta tripulação viajou mais longe do que qualquer outro humano da Terra até hoje e a missão vai facilitar o regresso efetivo do Homem à Lua planeado para 2028 e, qualquer dia, uma viagem a Marte.
Como aconteceu a amaragem? Saiba os passos
23h33: Módulo separa-se da nave
O primeiro passo foi a separação entre a cápsula e o módulo de serviço, que deu propulsão e energia durante a viagem.
Este módulo que se separou era europeu, da Agência Espacial Europeia, e contou com o trabalho de dez países do mesmo continente: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Suécia e Suíça.
00h53: Reentrada na atmosfera terrestre
Este foi um dos momentos mais intensos desta viagem. A cápsula começou a descer rapidamente e pode atingir um calor extremo de mais de 2,800ºC.
Neste período, ocorreu um "blackout" durante seis minutos, isto é, uma perda temporária das comunicações devido aos gases ionizados que envolveram a nave.
1h03: Paraquedas de travagem? 'OK'
Os paraquedas de travagem foram acionados a seis mil metros de altitude.
1h04: Tudo a postos? Paraquedas principais
Nem um minuto depois, os três paraquedas principais abriram para sustentar a aterragem na costa de San Diego, nos Estados Unidos da América (EUA).
1h07: Nas águas do Pacífico
Quando a cápsula aterra, os astronautas não podem sair logo da nave. Uma equipa de resgate têm de confirmar todas as condições de segurança – sem fumo ou qualquer outra anomalia. A saída ficou ainda dependente das condições do mar.
Todo este processo demorou pouco mais de uma hora e meia até os cientistas serem extraídos da cápsula e levados no navio de transporte USS John P. Murtha para avaliações médicas.
Depois de tudo isto, desligaram-se todos os botões e sistemas da Órion e rebocou-se a nave.
De volta ao princípio, o sonho Artemis II (e o que restar da cápsula) regressou à outra ponta dos EUA. A nave foi transportada até ao Kennedy Space Center, na Flórida, a pouco mais de 25 quilómetros do local de onde foi lançado o foguetão rumo à órbita Lua.















