Natureza
David Attenborough faz 100 anos esta sexta-feira (e inspira nome de nova vespa)
07 mai, 2026 - 22:16 • Catarina Magalhães
Com mais de 70 anos de carreira e documentários, o naturalista britânico apresentou ao mundo a vida animal e foi pioneiro na arte de fazer documentários, começando por gravar diários na floresta para a emissora pública BBC.
"Há mais significado e compreensão mútua em trocar um olhar com um gorila do que com qualquer outro animal que eu conheça."
Em 1978, durante as filmagens do programa de sucesso "Life on Earth" ("Planeta Terra", em português) emitido na BBC, o historiador britânico Sir David Attenborough elogiava o comportamento deste animal enquanto um jovem primata subia para o seu colo.
E bastava a natureza para acordar a sua voz calma e as narrações que simplificam os estudos científicos mais complexos. "A minha vida é o mundo natural", diz muitas vezes.
O naturalista completa esta sexta-feira 100 anos e até uma nova vespa vai ser batizada com o seu nome.
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Emocionado com as mensagens antecipadas de aniversário, o "tesouro nacional" do Reino Unido revelou, em entrevista à emissora pública BBC News, que esperava celebrar o dia "de forma discreta" – apesar de nesta sexta-feira estar previsto um concerto especial no Royal Albert Hall, no centro de Londres, em homenagem ao ambientalista.
"Mas parece que muitos de vocês tinham outras ideias", disse, surpreendido com o carinho de quem o acompanha ao longo das últimas décadas.
O apresentador veterano confessou estar "completamente emocionado" com as cartas de "grupos de crianças em idade pré-escolar até residentes de lares" a celebrar o seu centenário.
"Não acho que alguém esteja a tentar ocupar o meu lugar"
"Tinha uma grande vantagem quando comecei há 50 anos: o meu emprego era seguro e não tinha de me promover", contou Attenborough numa entrevista nos anos 2000.
Depois de entrar na Marinha Real durante a Segunda Guerra Mundial desiludido por não poder explorar o mundo e ter sido rejeitado em 1952 após candidatar-se ao cargo de produtor de rádio, o naturalista começou a gravar dois anos depois o seu primeiro programa televisivo, "Zoo Quest", na Indonésia.
Começando por gravar diários nas florestas, o historiador foi pioneiro na arte de fazer documentários. Com cerca de 500 milhões de pessoas a assistir a cada episódio, Attenborough mostrou, na melhor definição possível, a vida animal de forma educativa e simples no programa "Planeta Terra".
Apesar disto, o historiador começou, com o passar do tempo, a centrar os seus programas na destruição dos habitats naturais pelo ser humano em vez de romantizar a natureza.
"Se é criança, este é o seu futuro. Se é pai ou mãe, este é o seu legado. O tempo de agir é agora", alertou numa entrevista em 2007.
Com um programa no ar, sabe-se que este autor de dezenas de séries televisivas lançou em abril deste ano uma nova série.
Sempre de boleia ou com o motorista privado por nunca ter sentido "necessidade" para tirar carta de condução, David Attenborough em "Secret Garden" explora jardins britânicos e a vida selvagem nestes espaços.
"Os meus sapatos são muito fora da moda. Não acho que alguém esteja a tentar ocupar o meu lugar", acredita.
Nova vespa batizada em homenagem ao historiador
Plantas, insetos, anfíbios, borboletas, gafanhotos e até um fóssil de plesiossauro, um réptil já extinto há mais de 50 milhões de anos. Não é a primeira vez que Sir David Attenborough vê o seu nome ser atribuído a descobertas de espécies e, desta vez, uma nova vespa vai eternizar o nome deste historiador.
Conhecida por devorar insetos vivos e por uma em forma de T no abdómen, esta variante "Attenboroughnculus tau" vai ser assim "batizada" já que os investigadores queriam atribuir o nome de alguém "verdadeiramente especial", avançou a National Geographic.
“Enviou-nos até uma nota manuscrita muito simpática a dizer que se sentia muito honrado", contaram os especialistas.










