Boicote à Eurovisão
Júlio Isidro, a Eurovisão e Israel: "Há um precedente com a exclusão da Rússia"
16 mai, 2026 - 08:10 • André Rodrigues
Júlio Isidro diz ver “motivos para a polémica” na Eurovisão 2026 e aponta a exclusão da Rússia, em 2022, como “precedente” que “neste caso não foi cumprido” no caso de Israel. Apesar de não subscrever explicitamente o boicote de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, o apresentador defende o direito à contestação. E lamenta que o festival esteja “tão envolvido em polémica”.
Júlio Isidro reconhece que poderá existir uma incoerência com o facto de Israel se manter no Festival da Eurovisão, apesar do envolvimento em conflitos.
“O que eu vejo é que há um precedente que foi aberto, que foi a exclusão da Rússia e que neste caso não foi cumprido”, afirma o apresentador em declarações à Renascença.
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A Rússia foi afastada em 2022, por decisão da União Europeia de Radiodifusão, que justificou a medida com a invasão da Ucrânia e com o risco de a inclusão russa “trazer a competição para o descrédito”.
Para Júlio Isidro, a controvérsia é reveladora da ligação entre a cultura e a política: “a música, mesmo a da Eurovisão, é uma manifestação cultural” e, por isso, acrescenta, “a forma como a cultura se expressa depende do poder em cada regime”.
Quem boicota (e porquê)
Questionado sobre se concorda com o boicote de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, Júlio Isidro diz concordar “com o direito a que alguns países o façam”, mas também considera legítimo que quem quer manter a participação o possa fazer.
Sobre o facto de a RTP não ter aderido ao protesto, o comunicador que chegou a apresentar o festival português da Eurovisão rejeita a ideia de falta de coragem a Portugal e responde com uma nota pessoal: “a experiência da idade leva menos a certezas e mais a dúvidas”.
“É lamentável que uma festa esteja tão envolvida em polémica”
Apesar de reconhecer legitimidade a quem boicota e a quem defende uma “separação das águas” entre música e guerra, Júlio Isidro considera “lamentável que uma festa esteja tão envolvida em polémica”, lembrando que a Eurovisão é “uma festa de união de todos os países”.












