Dia Mundial das Abelhas

Se as abelhas desaparecerem "toda a agricultura vai ser prejudicada"

20 mai, 2026 - 08:00 • Redação

A iniciativa “Juntos pelas Abelhas” vai oferecer 600 colmeias a apicultores portugueses para mitigar os efeitos dos fenómenos meteorológicos extremos, como as recentes tempestades que afetaram o país, e que colocam a espécie em risco.

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A apicultura “não está fácil” em Portugal, conta à Renascença Telmo Cabral, apicultor e responsável pela iniciativa “Juntos pelas Abelhas”, que pretende ajudar a recuperar a espécie. As alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos extremos, como os incêndios florestais e as tempestades que assolaram a região Centro no início deste ano, estão a colocar em risco a sobrevivência desta espécie “essencial” para a vida no planeta.

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Telmo Cabral conhece bem estas dificuldades. Em 2025, devido aos incêndios florestais do verão que “destruíram as colónias e o pasto das abelhas”, o produtor de mel perdeu “à volta de 40 colmeias” no apiário que tem em Arganil, no distrito de Coimbra. “Tudo à volta, num raio de 10 a 15 quilómetros, ardeu. Este ano não há mel na zona onde eu estou”, lamenta.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, a passagem das tempestades Kristin, Leonardo e Marta fez com que se perdessem “entre sete a nove mil colmeias” só nas regiões mais afetadas, relata o apicultor. “Considerando que a nossa alimentação é influenciada em mais de 75% pela presença de abelhas”, prossegue, “toda a agricultura vai ser prejudicada porque a polinização não vai ser feita”.

Iniciativa “já ajudou mais de mil apicultores”

Foi para responder a estas ameaças que surgiu o “Juntos pelas Abelhas”. O projeto, apoiado por uma multinacional da área alimentar, chega este ano à sexta edição e, além de oferecer formação para quem quiser iniciar-se na apicultura, vai doar 600 colmeias a apicultores afetados pelos incêndios e pelas tempestades, em especial na zona Centro do país.

Desde 2020, a iniciativa “já ajudou mais de mil apicultores”, diz o responsável, colocando “mais de cem mil milhões de abelhas na rua”.

Para fazer com que as colmeias cheguem a quem precisa, o “Juntos pelas Abelhas” funciona em articulação com as duas principais federações apícolas do país - a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) e a Federação Nacional de Cooperativas Apícolas e de Produtores de Mel (Fenapícola).

As federações “emitem uma solicitação às associações e cooperativas apícolas” que, por sua vez, “informam os seus colaboradores e associados”, explica Telmo Cabral. Os apicultores têm então de preencher um inquérito em que relatam as perdas que tiveram.

“Nós, por lei, temos de ter as nossas colmeias registadas e quando as perdemos também temos de dar baixa dessas colmeias”, esclarece, “e através dessa baixa, nós conseguimos informar as nossas federações, que acabam por selecionar os apicultores mais afetados”.

“As vespas são assustadoras”

A par das alterações climáticas, as abelhas enfrentam outros perigos. Telmo Cabral alerta para a presença cada vez maior de parasitas e espécies invasoras em território nacional, como a varroa ou a vespa asiática, que “devora” as colmeias. “As vespas são assustadoras”, sublinha.

“Depois temos os custos dos equipamentos e dos alimentos, que estão cada vez mais caros”, garante o criador de abelhas. Contudo, o aumento dos custos de produção não se reflete no preço final do mel.

“Felizmente está um bocadinho melhor, mas o preço do mel em Portugal ainda não está ao nível do preço do mel europeu”, descreve Telmo Cabral. “Isso também causa a desistência de muitos apicultores”, refere.

Para contrariar a tendência de quebra na população de abelhas em Portugal, Telmo Cabral apela à “população em geral” para “dar valor ao produto que vem das colmeias” dos produtores locais. “O mel português é excelente e, em Portugal, produzem-se dos melhores méis do mundo”, conclui.

*Editado por Ana Kotowicz

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