Empurraram-na para dentro da estrutura, onde estavam várias outras pessoas. “Disseram ‘vai lá para dentro com todos os árabes’.” E recomeçaram “a bater, a atirar água por cima das pessoas, [a dar] pontapés na cabeça, a pisar”.
Rita conta que, sendo palpável o desespero geral, não ouvia murmúrios nem gritos de adultos. “Mas conseguia ouvir as crianças a chorar – e a orar também.” A mais velha, acredita, teria cerca de 11 anos, “mas a maior parte das crianças tinha menos de sete anos”.
A mais nova, Manar, tinha apenas quatro meses de idade. É filha de Suhaib Abualkebash, o pastor agredido sexualmente. Ao jornal israelita Haaretz, a mãe da bebé, Niama Abualkebash, contava que, depois do ataque, foi dar com a filha escondida no berço. “Levantei o cobertor e ela sorriu para mim. Suspirei de alívio e disse ‘É uma mensagem de Alá’.”
Durante toda a hora que durou o ataque, a mulher conta que receou que a bebé começasse a chorar. A filha de três anos tinha sido arrastada da tenda em pijama e atirada para o chão. O mesmo disse o marido ao New York Times. “Graças a Deus ela não chorou, porque eles batiam em todas as crianças que choravam.”
O cenário foi repetido por várias estruturas do acampamento. “Separaram-nos em grupos para aterrorizar todos os membros da família, ameaçaram as mulheres que as iam violar e que iam raptar as raparigas, as crianças pequeninas, que iam crescer com eles. Ameaçaram que da próxima vez iam fazer isso.”