Em contrapartida, a produção termoelétrica na China, baseada em carvão, caiu em 2025 pela primeira vez em 10 anos, segundo dados do governo, divulgados em janeiro de 2026. A conclusão é a de que as renováveis respondem ao crescimento da procura, na ordem dos 6%.
"É uma vitória retumbante para a China", afirmou Li Shou, do Centro de Clima da Asia Society, referindo-se à produção de painéis, numa entrevista à BBC. “Não se trata de saber se outros países devem trabalhar com a China, mas sim como. Se um país estiver a pensar se deve ou não trabalhar com Pequim, vai ficar cada vez mais para trás", disse o investigador da organização que se concentra em educar o mundo sobre a Ásia.
"A energia limpa cresceu suficientemente rápido para suprir todo o aumento da procura por eletricidade na China e ainda sobrar", afirmou, ao mesmo jornal, Qi Qin, do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, uma organização de investigação independente, sediada na Finlândia, sem fins lucrativos. "Os combustíveis fósseis estão a ser eliminados da matriz energética. Este é o primeiro sinal real de que a China se aproxima de um ponto de inflexão estrutural."
Cuba: entre os cortes dos EUA e os painéis da China
A autossuficiência pode ser o principal motivo de Xi Jinping, Presidente da República Popular da China desde 2013, para explorar o caminho verde. Mas há muito a ganhar no mercado das renováveis, seja em valor financeiro — as empresas chinesas participaram em mais de 500 projetos renováveis no estrangeiro —, seja em relações diplomáticas.
Há um exemplo no mar das Caraíbas. Ali, mesmo sem provas, acredita-se que Pequim tem pontos de espionagem que recolhem informações sobre Washington.
Quando o Presidente dos EUA, Donald Trump, cortou (ainda mais) o petróleo a Cuba, a China já tinha investido em energia solar. Entre Havana e Pequim havia um compromisso fechado, desde 2025, para construir mais de 92 parques solares até 2028 na ilha das Caraíbas.