É o que acontece com Mohammed e muitos outros milhares de imigrantes que chegaram nos últimos anos. O marroquino, de 42 anos, saiu de Guelmim — a cidade a que também chamam “as portas do Saara” — em 2019. Fez a Rota do Balcãs, passando por diversos países europeus antes de chegar a Portugal. “Foram dois anos e seis meses a caminhar”.
Primeiro voou de Marrocos para a Turquia, depois passou para as ilhas gregas, daí chegou a Tessalónica, de onde subiu até à Hungria. Atravessou depois a Alemanha, Suíça, Itália, França e Espanha, antes de finalmente chegar ao Porto em janeiro de 2024.
Neste momento, trabalha numa obra no centro do Porto. Faz um pouco de “tudo o que está relacionado com a construção civil”, desde pintura a trabalho de pedreiro. “Quero fazer a minha vida aqui… As pessoas são inteligentes, boas, autênticas. O clima é semelhante ao de Marrocos”, afirma.
No entanto, Mohammed tem-se defrontado com alguns obstáculos. Considera o salário mínimo demasiado baixo e queixa-se “dos ziguezagues” de alguns patrões, que não cumprem o que está nos contratos: “Não pagam os feriados, quando estás doente, o almoço. Quando assinas o contrato está tudo bem, mas depois o patrão diz-te que não pode pagar. Assinas, por exemplo, 8 euros [à hora] e só recebes 7,6 ou 5”.
O que se passa debaixo da mesa?
Segundo os dados oficiais da AIMA, Portugal registava "pelo menos 1.546.521 cidadãos estrangeiros” a viver no país em 2024 — um número que quadruplica os quase 422 mil estrangeiros que viviam no país em 2017.