
Milhares de pessoas juntaram-se este domingo, em Lisboa, para uma Marcha pela Palestina que percorreu o caminho desde o Rossio até ao largo José Saramago, no campo das cebolas.
"Fim ao genocídio", Liberdade em cada esquina para o povo da Palestina", "Abaixo o apartheid", foram algumas das palavras de ordem que se ouviram durante a manifestação.
No final, decorreram várias intervenções e momentos artísticos, em homenagem ao povo palestiniano.
A oliveira que permanece junto à Fundação José Saramago e que testemunha a herança do escritor, também perpetuou, este domingo, a realidade em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
A jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho fez o relato de uma comunicação que lhe tinha acabado de chegar.



"Na Palestina, estes dias de outubro, sempre foram os da apanha da azeitona. Uma amiga mandou-me há pouco imagens de Hebrom. Famílias locais foram apanhar azeitonas com a ajuda de ativistas que faziam de escudo humano, tentando impedir a violência de colonos e soldados. Várias pessoas ficaram feridas, incluindo a minha amiga a quem um soldado deu uma pancada com uma arma. Mais um dia na guerra contra os palestinianos", declarou perante os presentes.
A autora que tem obra publicada sobre a Palestina diria depois, à Renascença, que a literatura é "exasperadamente lenta quando a mortandade continua a todo o momento, mas os livros vão guardar também este tempo".
"Serão arquivos vivos para as nossas crianças e para leitores de amanhã. Acredito no poder dos livros. Aliás, os palestinianos sempre confiaram na poesia, nos poetas e nos livros. O pensamento que é o lugar humano mais vasto, o pensamento livre, esse hoje está com a Palestina", declara.


Ali ao lado, a enfermeira Rita Costa diz, à Renascença, que esteve na Faixa de Gaza por duas vezes, numa missão com os Médicos Sem Fronteiras. Admite que lhe é difícil descrever o que viu e o que sentiu.
"Da primeira vez para a segunda eu não consegui reconhecer onde já tinha estado antes. A destruição é total. Quase não existem edifícios que estejam de pé. Há muitas pessoas que têm de recuperar das suas doenças provocadas pela guerra e pela falta de cuidados de saúde. Mulheres grávidas tiveram de ter o seu parto sem condições de segurança. Há muito trabalho para fazer. A situação é, de facto, como eu nunca tinha visto em nenhuma outra parte do mundo", relata.
Jonathan Bebebgui, antissionista e membro do movimento Judeus pela Paz e Justiça, considera que são muitos aqueles que se solidarizam com a Palestina.
"O povo palestiniano continua a ser vítima de um apartheid. Temos de aplicar sanções ao Estado de Israel e exigir o embargo das armas", afirma.
A Marcha pela Palestina foi uma organização conjunta da Amnistia Internacional Portugal, Fundação José Saramago, Greenpeace Portugal, Médicos Sem Fronteiras Portugal e Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, com os objetivos, entre outros, de exigir a solução de dois Estados, a entrada imediata de ajuda humanitária em Gaza e responsabilizar Israel.

