Entre os vários sectores, quem fez mais contratações, até à data, foi a AICCOPN, com 712 trabalhadores. Para Manuel Reis Campos, o balanço é “positivo”, apesar de o diagnóstico da organização apontar para a necessidade de mais de “80 mil trabalhadores”.
“Vai devagar, mas está no bom sentido”, garante o dirigente. Os operários chegam de diversos países: os tradicionais Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e Brasil - e também agora de novas proveniências, como a Colõmbia e o Peru, da América Latina, e Marrocos, Paquistão ou Índia.
O sector da construção é um dos que está mais pressionados pela falta de mão de obra. Em entrevista recente à Renascença, o presidente da Comissão do Plano de Recuperação e Resiliência, Pedro Dominguinhos, admitiu que nem todas as obras do programa estarão prontas dentro do prazo, o que poderá obrigar à restituição de verbas da “bazuca” europeia. Uma das razões apontadas é precisamente a falta de mão de obra.
Apesar destas limitações, o sector prossegue com uma tendência francamente positiva, sublinha Reis Campos: “nunca tivemos uma situação como temos hoje”. Segundo o barómetro de novembro da associação, os concursos de obras públicas aumentaram 31% e as empreitadas acumuladas desde o início do ano chegaram aos 9 mil milhões de euros.
Nestes últimos meses entraram só cerca de mil trabalhadores. Chega? Não chega. Tem de ser mais - Manuel Reis Campos, AICCOPN
Para além destas obras em curso há ainda em perspetiva os investimentos do Portugal 2030, do aeroporto, da alta velocidade e o objetivo do Governo e das autarquias de atingir 133 mil novas habitações até 2030.
Perante estes dados, Manuel Reis Campos admite que é preciso aumentar o número de entradas. “O sector precisa, como eu digo, de 80 mil trabalhadores. Nestes últimos meses entraram só cerca de mil trabalhadores. Chega? Não chega. Tem de ser mais”, declara o presidente da AICCOPN. “Acho que está a correr bem, embora não satisfaça as necessidades do sector”, resume o dirigente.
Empresas têm de fazer "investimento significativo"
A agricultura é outra das áreas onde existe lacuna de trabalhadores. Em 2024, o sector empregou 23 mil estrangeiros, número necessário para fazer as colheitas. Para já, através da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), chegaram ao país 600 trabalhadores, pedidos por 52 empresas.