Noutro ponto de Figueiró dos Vinhos está Maria de Fátima. A quantidade de plásticos sobrepostos entre paus de madeira que surgem por cima das telhas levantadas da casa onde vive chama naturalmente a atenção. Convida-nos a entrar e mostra-nos o chão ensopado - “foi em bica ontem à noite”. Depois leva-nos até ao andar de cima e vemos, por dentro, a quantidade de telhado que desabou.
O horror que viveu fê-la temer até pela morte. “Eu só disse assim ao meu marido - tremia que não me segurava - calça uma meias, enfia uns sapatos, veste uma calças e sai para a rua que nós vamos morrer com a casa em cima”.
Entre o breu noturno conta que surgiu um vizinho que tudo viu do lado de fora: “Depois veio uma coisa de vento, uma coisa horrível, ali o meu vizinho disse-me: ‘olha o telhado do vizinho em cima do teu’, eu cheia de nervos nem lhe conto”.
Autarquia sente-se abandonada pelo Governo
Ouvido também pela Renascença, o presidente da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos, Carlos Lopes, diz-se “abandonado” pelo poder político.
Lamentando a falta de presenças no concelho, diz ficar com “mágoa” por apenas ter conseguido contactar com o secretário de Estado da Proteção Civil – que garantiu a chegada ao território de um gerador.
Questionado sobre quem devia ter estado por cá, Carlos Lopes não hesita: “Naturalmente que o senhor primeiro-ministro ou a senhora ministra da Administração Interna, responsáveis máximos do Governo da República, que hoje já visitaram outros territórios e que pelos vistos entendem que não têm tempo para vir a Figueiró dos Vinhos”.
Ainda em fase de contas, a Câmara Municipal estima prejuízos na ordem das centenas de milhões de euros.