Na visão de Dina, a razão para tantos estragos é óbvia: ali, na aldeia de Casal dos Bernardos, a sua casa é a mais vulnerável à passagem destas tempestades.
“O vento vem de lá e a nossa casa está aqui livre. O vento vem da ribeira, chama-se mesmo a Ribeira do Relveiro, e isto aqui é tipo um vale. A nossa casa foi a mais atingida na zona."
Dentro de casa, a chuva forte dos últimos dias não tem dado tréguas. Muita mobília já se estragou, na sala de jantar os pingos constantes atrapalham as refeições e a água até já chegou aos 20 centímetros de altura. Completamente isolada, a família de Dina socorre-se da ajuda de familiares que lhes levam comida feita (o fogão também ficou destruído) e que até já compraram algumas telhas para começar a reconstruir a casa.
Todos vão ajudar, incluindo o filho Luís, de 11 anos, que está dependente dos tios para chegar à escola todos os dias. “E não dá para fazer os trabalhos da escola. Tínhamos um trabalho de grupo e não dá para fazer agora porque aconteceu isto”, assinala, com um tom preocupado.
Em Casal dos Bernardos, a luz só chega pela ajuda de geradores, que vão sendo partilhados pelos vizinhos para garantir que a comida nas arcas frigoríficas não descongela. “Diz que vai demorar ainda umas três semanas. Vamos ver”, prevê Emília Coelho.