"Há muito que não víamos isto assim". Samora Correia em prevenção, à espera da Marta

Em Samora Correia, a zona ribeirinha ficou parcialmente inundada devido à subida das águas do Almansor, afluente do Sorraia que desagua no Mar da Palha, no Tejo. Houve quem tivesse de sair das casas, apanhadas pela subida do rio. E quem tivesse optado por ficar em casa.

06 fev, 2026 - 13:00 • João Cunha



Reportagem João Cunha em Benavente e Samora Correia
Reportagem João Cunha em Benavente e Samora Correia

António Maduro está de calças puxadas para cima — quais calções — para que possa, mesmo de chinelos, entrar na água que lhe impede o acesso a casa. Depois de anos emigrado em Inglaterra, decidiu reconstruir uma casa, num plano superior ao das duas casas, mais abaixo, junto ao rio, onde vive.

Não fossem as obras em curso, e a escada de ligação entre os dois planos, só conseguiria sair de barco. Ou com água pelo peito.

"Foi horrível", acrescenta, depois de uma noite em branco. "Passei a noite a fazer muralhas com entulho [da obra] para tentar impedir a entrada de água. Ontem, subiu 30 a 40 cm. Hoje já foi mais de meio metro", garante.

A meio da noite, teve de efetuar um resgate.


António Maduro, um dos afetados pela subida das águas do Almansor   Foto: João Cunha/RR
António Maduro, um dos afetados pela subida das águas do Almansor Foto: João Cunha/RR

"Comecei a ouvir miar, miar, daquele miar que não é normal. Era um miar aflito. Lá para dentro de água até ao peito e galgar um muro. E deixei o gato dentro de um barracão".

A dada altura, a água subiu tanto que decidiu, com o filho, subir a tal escada e passar a noite na casa em obras, não fosse o Almansor querer subir ainda mais.

Depois de uma noite ás claras, podia ir descansar, dormir umas horas para compensar a direta. Mas diz que não tem tempo, sobretudo porque vem ai a depressão Marta e com ela, mais mau tempo, chuva e possível subida dos caudais dos rios.


O rio Almansor, junto a Samora Correia   Foto: João Cunha/RR
O rio Almansor, junto a Samora Correia Foto: João Cunha/RR

"Vou continuar a fazer a minha muralha de entulho", garante.

Ali ao lado, o Parque Ribeirinho de Samora Correia, coberto de água, e populares que, com receio, se aproximam da água para tirar uma foto, para memória futura.

No topo da rua que dá acesso a esta zona ribeirinha, a autarca de Benavente, a que pertence Samora Correia - e que tinha acabado de fazer uma ronda pelos locais mais atingidos - estava de colete da proteção civil vestido, galochas e capuz.


Sónia Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Benavente   Foto: João Cunha/RR
Sónia Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Benavente Foto: João Cunha/RR

"Temos aqui algumas casas que têm bastante água e aquelas onde não entrou água do rio, entrou água dos esgotos", já que as condutas não conseguiram aguentar a subida da água do rio, que por elas entrou, tamponando-as.

Sónia Ferreira confessa que esperava pior, o que não quer dizer que baixe a guarda.

"Os caudais vão continuar a subir, as barragens a despejar, e por isso vamos continuar de prevenção... Vem aí a tempestade Marta, e por isso, vamos continuar no terreno, a ajudar as nossas pessoas".


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