Cá fora, as cadeiras e os álbuns da casa secam ao sol. As páginas ondulam. Algumas fotografias colam-se. “São os álbuns desta casa.” Ali estão verões sucessivos, mesas cheias, clientes habituais. “Tenho clientes que ainda eram da altura do meu pai.” E explica: “É uma casa de passagem. Quem conhece Alcácer… muita gente pára aqui quando vai para o Algarve, quando vem para cima. É ponto obrigatório.”
Mas limpar não é simples. “A gente olha para isto e não sabe por que ponto é que há de pegar.” Esfregam o chão, lavam as cadeiras, deixam-nas ao sol. Quando voltam, estão manchadas outra vez. “Quanto mais limpa, mais sujo está.” A água do rio deixa lodo. “Tem de ser lavado duas e três vezes.”
Ricardo tem 52 anos. Quando lhe perguntamos a profissão, responde: “Era empregado de restauração.” O verbo sai no passado. “Agora não sou. Está como está.” Não sabe quanto tempo a casa vai estar fechada.
"A Papinha" abriu em 1979, fundada pelo pai e por um sócio. A sociedade desfez-se em 1988. Ficou apenas o pai. Em 1992, morreu. Ricardo tinha 19 anos. “Eu comecei aqui com 19 anos, quando o meu pai faleceu, mas já cá andava desde os 14 a ajudá-lo.” Diz que foi “jogado para o meio das feras”.