“Os idosos que estão conscientes ficaram tristes com isto tudo que passou, mas sentem-se bem, porque estão bem a nível de saúde e estão mais ou menos estáveis. Muitos deles têm a casa destruída lá fora, mas os filhos também os sossegaram e acalmaram”, assinala.
E os idosos do apoio domiciliário? "Foi o pior. Ficaram isolados"
Ainda Sofia estava a tentar dar a volta por cima de árvores e postes de eletricidade caídos para chegar ao centro social e já alguns funcionários que vivem nas redondezas estavam a tratar de refeições na cozinha, fazendo tudo o que podiam sem eletricidade. “Naquele primeiro dia, tivemos de servir a comida toda fria, porque não tínhamos luz, gás, não tínhamos nada”.
O gerador que chegou, entretanto, alugado ajudou a confecionar as mais de 500 refeições diárias que dali saem, entre o lar, creche e a escola pública da zona. Só isso permitiu reabrir a creche e deu algum alento a quem estava em casa sozinho, sem centro de dia ou apoio domiciliário.
“Esses foram os que mais nos preocuparam”, recorda Sofia Pereira, que adianta os compromissos feitos para o futuro. “Agora vamos investir em ‘walkie-talkies', para garantir que há comunicação entre equipas, para informarmos das necessidades desses idosos”.
Umas duas centenas de quilómetros mais abaixo, o problema foi semelhante, mas pior. Durou mais tempo. “Fomos pela linha do comboio, levar alguns mantimentos e prestar o apoio que eles necessitavam. E agradecemos muito à Junta, porque só assim a conseguimos passar, porque as nossas carrinhas não tinham essa possibilidade. Durante mais de uma semana. Foi o pior. Ficaram isolados”.
Sem as varandas, os idosos podem sair, circular, cair, magoar-se, no pior cenário, até falecer