Retratos de uma greve geral. "Vamos derrotar o pacote do patrão"

Um eletricista da Carris que promete derrotar "o pacote do patrão", uma reformada que continua na linha da frente das reivindicações, uma professora que atravessou o país para protestar, uma tripulante de cabine, um bancário, estudantes e jovens trabalhadores. Quem são as pessoas que deram rosto à greve geral? E porque acreditam que a mobilização coletiva continua a ser a melhor resposta aos problemas de quem trabalha? As respostas em forma de retratos durante a manifestação que terminou na Assembleia da República.

03 jun, 2026 - 22:40 • Lara Castro



Quem são as pessoas que deram rosto à greve geral? E porque acreditam que a mobilização coletiva continua a ser a melhor resposta aos problemas de quem trabalha? As respostas em forma de retratos. Foto: Lara Castro/Renascença
Quem são as pessoas que deram rosto à greve geral? E porque acreditam que a mobilização coletiva continua a ser a melhor resposta aos problemas de quem trabalha? As respostas em forma de retratos. Foto: Lara Castro/Renascença


Isabel Gomes, 74 anos, Presidente da direção do Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI)
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Isabel Gomes, 74 anos, Presidente da direção do Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI)

"Isto é uma luta de todos, o pacote de facto tem que ir ao chão e se for ao chão vai ser mais fácil. Os pedidos que nós fazemos, que passam por um aumento intercalar das nossas pensões; o Serviço Nacional de Saúde melhor com médico e enfermeiro para todos os idoso; o aumento de custo de vida, que está uma coisa absolutamente insuportável; a nossa cesta de alimentação devia estar constante e não sofrer os aumentos que está a sofrer. E, portanto, fundamentalmente é por isto que a gente aqui está hoje." Isabel Gomes, 74 anos, Presidente da direção do Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI)


Francisco Faria, 24 anos, profissional de marketing
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Francisco Faria, 24 anos, profissional de marketing

"Sou contra o pacote laboral e acho que todos merecemos direitos normais e todos a gente merece direitos trabalhadores. É nestas situações que todos nós temos de nos unir e é assim que nós conseguimos os nossos direitos." Francisco Faria, 24 anos, profissional de marketing


Manuel Leal, 64 anos, Eletricista auto na Carris, dirigente do STRUP
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Manuel Leal, 64 anos, Eletricista auto na Carris, dirigente do STRUP

"Estou fundamentalmente contra o retrocesso profundo que significaria a aprovação do pacote laboral que está em discussão na Assembleia da República. Não só para a minha geração, mas fundamentalmente para as gerações mais novas. Não estamos a falar de um retrocesso de algumas décadas, estamos a falar de um retrocesso das relações de trabalho ao século XIX e ao tempo da Revolução Industrial." Manuel Leal, 64 anos, Eletricista auto na Carris, dirigente do STRUP


Paula, membro da CGTP
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Paula, membro da CGTP

"🎶O público é de todos (privado é só de alguns). O custo de vida aumenta (o povo não aguenta). Mais salário, sim. Precariedade, não. Vamos derrotar o pacote do patrão." Paula, membro da CGTP


Claúdia Martins, 46 anos, Professora
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Claúdia Martins, 46 anos, Professora

"Acima de tudo, por causa do pacote laboral que em certa forma, vai afetar na parte da educação. E, claro, eu também vim pelos meus filhos, porque está em causa o futuro dos nossos filhos, da sociedade. E acho que não podemos andar para trás, temos de andar para a frente, não é perder direitos." Claúdia Martins, 46 anos, Professora


Vasco Carneiro, 18 anos, Estudante de História
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Vasco Carneiro, 18 anos, Estudante de História

"O que me traz aqui, além de, claramente, a certeza de que se nós não defendemos os direitos dos outros, agora, poderemos estar a pôr em risco os nossos próprios, como também, pura e simplesmente, a solidariedade com este movimento laboral que necessita que toda a gente apoie, porque é a base da economia, é a base da sociedade e são as pessoas que fazem deste mundo aquilo que ele é e têm direito a ter uma vida decente que não se baseia apenas nos interesses dos patrões e dos grandes grupos económicos." Vasco Carneiro, 18 anos, Estudante de História


Violinda Miguel, 72 anos, Reformada
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Violinda Miguel, 72 anos, Reformada

"É sair de casa para lutar, porque isto é uma vergonha, o que eles estão a fazer, de quererem impor aos trabalhadores coisas que nós tínhamos já conseguido com a nossa luta. E eu penso nos meus filhos, penso nos meus netos, penso em todos, os jovens principalmente, e também nós reformados, que as reformas são tão pequenas, cada dia vemos mais precariedade, cada vez vemos mais difícil de comprar as nossas comidas, de comprar os nossos medicamentos e está muito, muito, a vida está muito complicada, portanto, este retrocesso que eles querem não é admissível." Violinda Miguel, 72 anos, Reformada


Lúcia, 44 anos, Análise e pesquisa do digital
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Lúcia, 44 anos, Análise e pesquisa do digital

"Pais, mães exaustos, crianças esquecidas. Com este pacote é terrível, o ambiente já está terrível e com este pacote ainda vai ser pior, se nós já não temos muito tempo para estar com os nossos filhos, ainda vai ser mais difícil porque as crianças passam tanto tempo na escola, não conseguimos ir buscá-los cedo. O futuro é dar boas condições aos pais e às crianças para termos um meio mais equilibrado." Lúcia, 44 anos, Análise e pesquisa do digital


Francisco Morgado, 25 anos, Bancário
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Francisco Morgado, 25 anos, Bancário

"Eu venho de direito, logo eu sei muito bem como é que está o Código de Trabalho agora e o que querem mudar agora também. E acho que a coisa que mais me preocupa é que o período de nojo antes de a terceirizar a tua função vai acabar com este pacote, ou seja, podem demitir a tua equipa porque já não é essencial para o teu empregador, mas depois contratam uma equipa que recebe muito menos, talvez na Índia ou assim, em que os próprios trabalhadores estão a ser explorados e o que é que acontece? Afinal eras útil, eras é caro para o patrão. E perdes o teu direito de negociar o teu salário e aquilo que te diferencia deixa de ser o teu valor no trabalho, o teu mérito, aquilo que tu fazes passa a ser apenas o quão caro és." Francisco Morgado, 25 anos, Bancário


Membros da CGTP cantam a "Grandôla Vila Morena"
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Membros da CGTP cantam a "Grandôla Vila Morena"

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