À frente de uma banca onde se alinham vários exemplares de azeite prontos para prova, o responsável corrobora que alguma coisa “fica” do que é conversado com os líderes partidários que por ali passam. Consegue verificar a permanência dessa memória nos contactos que faz no resto do ano, com “diferentes partidos, diferentes organismos”, num esforço de "promoção do azeite, do olival, das boas práticas” e de defesa do setor.
Um setor que, afirma, cresceu “320%” em 20 anos, “em termos de produção”, e que está a sofrer alterações profundas — através, por exemplo, da implementação do Programa de Sustentabilidade do Azeite.
Esse avanço consegue-se também com decisões políticas aparentemente simples - como o despacho que, recentemente, alterou a classificação do caroço de azeitona, passando de resíduo para subproduto (como já acontecia em Espanha).
Efeito prático? O caroço de azeitona que resulta da extração de azeite “tem um poder calorífico muito grande: pode ser incorporado em pellets, pode ser queimado diretamente, pode ser incorporado noutro tipo de produtos, até mesmo para a elaboração de plásticos, plásticos automóveis, sacos de plástico e, portanto, abrimos aqui todo um leque de possibilidades”, elenca Gonçalo Madeira.
Sendo agora “considerado uma biomassa para aproveitamento energético”, é possível rentabilizar o produto e trazer “mais circularidade e mais sustentabilidade” ao setor.
O responsável defende que o mesmo processo de “agilização burocrática” deveria ser aplicado ao bagaço de azeitona que fica no lagar (cascas, resíduos da polpa e fragmentos do caroço da azeitona). Se passasse a ser considerado subproduto, poderia ser introduzido em pilhas de compostagem, criando “um composto para colocarmos no solo” e “fazer, efetivamente, a circularidade: vem da azeitona, é extraído e volta ao solo de novo”.