“O Partido Comunista, através da sua célula clandestina, convence-os de que se o Vasco Lourenço for nomeado para a Região Militar de Lisboa, ele não aceita essa solução”, acrescenta. Vasco Lourenço não tem dúvidas: o que se segue é "uma ação de força, não é um golpe de Estado".
Mil paraquedistas saíram de Tancos para ocupar bases aéreas, o Estado-Maior da Força Aérea e o Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa (RALIS).
Os estúdios da RTP foram tomados para explicar ao país os motivos da revolta.
Reagindo à velocidade dos acontecimentos, o Grupo dos Nove, composto por oficiais moderados do MFA, informou o Presidente da República.
Costa Gomes chamou Álvaro Cunhal e convenceu-o a recuar. “Por duas razões: ele estava convencido que os fuzileiros iam entrar no golpe dele e os fuzileiros mantiveram-se leais ao Presidente da República. Por outro lado, confrontado por Costa Gomes, o Cunhal não terá querido ser um dos autores da declaração de uma guerra civil.”
Ficou aberto o caminho para os comandos da Amadora, liderados por Jaime Neves e coordenados por Ramalho Eanes. A revolta foi neutralizada.
Para Vasco Lourenço, “Eanes foi um instrumento importante, porque tinha prestígio". E acrescenta: "Se nós não o tivéssemos, provavelmente o caminho que se seguia era a guerra civil. Se os chamados falcões têm conseguido aquilo que tentaram, que era usar a Força Aérea para bombardear o RALIS, o Forte de Almada e os paraquedistas em Tancos, era a guerra civil.”