Quando aprovou a lei da imigração e as alterações aos impostos para o OE, em julho do ano passado, motivou reações díspares. O Chega falava de um “novo diálogo democrático” em Portugal.
“Terminamos o debate do Estado da Nação com uma certeza. É verdade: há hoje uma nova maioria em Portugal e novo diálogo democrático em Portugal, que exige mudança”. André Ventura.
No PS, o ex-líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, falava de uma “alteração da natureza” do PSD na atual legislatura, sendo o líder do Chega – que já foi militante social-democrata – um “agente de transformação do PSD por fora”.
Brilhante Dias defenderia que o André Ventura percebeu “que é mais fácil transformar o PSD por fora do que por dentro”.
Daí até à noite de ontem passaram quatro anos. Após a derrota copiosa de Luís Marques Mendes, que se começou a prever na semana antes das eleições, havia expetativa em perceber qual a posição que Luís Montenegro tomaria. E a opção do primeiro-ministro foi nem escolher António José Seguro, nem escolher André Ventura.
"[O primeiro-ministro governar] um bocadinho para o lado do PS, um bocadinho para o lado da Chega, é mais uma traição àquela que foi a votação dos portugueses". André Ventura em junho de 2025.
"Na segunda volta não estará representado o nosso espaço político, aceitamos essa escolha com humildade democrática. O PSD não estará envolvido na campanha, não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo”, disse na declaração aos jornalistas na sede do PSD, na São Caetano à Lapa.
Como poderá reagir Ventura
Se, como alguns analistas anteveem, Montenegro quis evitar que Ventura capitalizasse no futuro um hipotético apoio a Seguro, as palavras do líder do Chega depois das eleições legislativas do ano passado podem deixar antever aquela que será a resposta nesta segunda volta à saída de jogo do líder do PSD.
"A expressão do primeiro-ministro hoje mesmo, de dizer,
quando confrontado pelos jornalistas, que governará um bocadinho para os dois
lados, um bocadinho para o lado do PS, um bocadinho para o lado da Chega,
é
mais uma traição àquela que foi a votação dos portugueses no dia 18
", rematou
André
Ventura
em junho do ano passado.