António José Seguro tomou posse esta segunda-feira na Assembleia da República como o sexto Presidente da República eleito desde o 25 de Abril de 1974. No discurso de investidura, deixou um aviso político claro ao Parlamento (e Governo): a legislatura é para cumprir, é preciso travar a sucessão de eleições dos últimos anos.
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Seguro afirmou que Portugal enfrenta problemas estruturais — dificuldades no acesso à saúde e à habitação, por exemplo — que se arrastam há demasiado tempo. E a estes problemas somam-se as consequências das catástrofes recentes que devastaram parte do território nacional.
“Falemos claro, nenhum destes desafios se resolve com improvisação, com metas que se esgotam no imediato e dirigidas exclusivamente para um calendário eleitoral de egoísta conveniência”, frisou António José Seguro.
Em particular, o Presidente eleito criticou os ciclos eleitorais curtos que marcaram o período político recente e defendeu maior previsibilidade nas políticas públicas. “A experiência do passado recente, de ciclos eleitorais de dois anos, não é desejável. Tudo farei para estancar esse frenesim eleitoral”, disse.
Seguro foi até mais longe. Disse que não irá seguir as pisadas do seu antecessor no que toca a dissolver o Parlamento em caso de rejeição do Orçamento de Estado.
“Reafirmo o meu entendimento que a rejeição da proposta de lei do Orçamento de Estado não implica automaticamente a dissolução da Assembleia da República. As legislaturas são para cumprir e todos devemos assumir essa responsabilidade, Governo e oposições”, afirmou.
Segundo o novo chefe de Estado, o fim de um período de várias eleições abre agora uma oportunidade política rara. Nos próximos três anos não estão previstas eleições nacionais. O Presidente defendeu, por isso, um esforço exige entendimento político entre diferentes forças partidárias.
“Não falo de unanimismos artificiais. Não falo de apagar diferenças ideológicas. Falo de maturidade democrática. Pretendo que se coloque o interesse nacional acima da lógica de curto prazo e de interesses eleitorais”, disse.
O chefe de Estado alertou também para riscos que podem afetar o funcionamento das democracias. “Cuidar da democracia tornou-se nos novos tempos uma tarefa urgente a que o Presidente da República se entregará por função e por convicção”, afirmou Seguro.