De Cascais viajamos até ao Hospital Pulido Valente, em Lisboa, onde encontramos o padre Natanael Harasym, católico do rito greco-católico da Ucrânia, a celebrar missa. É por ali, pelo Hospital de Santa Maria, pelo Lumiar, pela Ameixoeira e também por Torres Vedras que se move em trabalhos para o Patriarcado de Lisboa.
“Um rito é uma expressão externa da nossa fé. A diferença é só entrar numa igreja oriental, ver o iconóstase, que separa o presbitério da nave dos fiéis, toda a liturgia. Um rito próprio, como o dos nossos irmãos ortodoxos, um rito bizantino – partilhamos o mesmo rito, mas somos católicos. É praticamente igual, a diferença é que nós rezamos pelo Papa”, resume o sacerdote ucraniano, em Portugal desde 2001, sobre o rito oriental também ele parte da Igreja Católica (um dos “pulmões”, como descreve).
Tendo estudado no Brasil, já falava português e cá chegou por um acordo entre o patriarca da altura, D. José Policarpo, e um cardeal ucraniano – D. Ljubomir Huzar. “Os teus ucranianos estão aqui nas minhas terras, vão à missa portuguesa e não percebem nada, os meus padres não os percebem, portanto manda algum padre para dar algum acompanhamento”, descreve acerca do que terá dito o cardeal português na altura.
A guerra no país onde mantém família e amigos é vivida pela comunidade, avança, “com um coração apertado e dorido”. Garante que todos os dias, desde 24 de fevereiro 2022, mantém nas suas orações a questão “até quando Senhor?”.
“Até quando?”, questiona repetidamente, mantendo a fé que “o nosso auxílio vem do Senhor que fez o Céu e a Terra”. Com um irmão a viver em Portugal, para onde também já trouxe a mãe, mantém outro irmão em terras ucranianas. “Muitos dos meus amigos estão na frente de batalha a lutar, a defender, inclusive os meus colegas de escola”. E, sim, assegura que consegue falar com estes amigos bem lá na linha dianteira da guerra. “Falo e rezo por eles. Eles pedem oração. Nós estamos bem, não deixe de rezar por nós, isso tem de garantir”, relata destas conversas.
No final de todas as missas que celebra, o padre Natanael Harasym explica que tem a tradição de rezar uma avé-Maria “pela paz”. Não só na Ucrânia, mas também no Médio Oriente “e no mundo inteiro”. Promete que não deixará de o fazer.