“O Corpo de Deus somos nós e é um mistério tão grande que não pode ficar dentro das portas da Igreja. Tem de sair à rua”, exclama um jovem na casa dos 25 anos que participa com a mulher nesta procissão. São dois entre tantos que encheram as ruas da baixa lisboeta, entre as 17h00 e as 18h30. A hora indicada e cumprida para a tradicional Procissão do Corpo de Deus, que terminou com a bênção, como sempre, junto à Sé da capital.
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“É bom partilhar a alegria da nossa fé e acho que é um momento bom de união da Igreja, de juntar a diversidade da nossa Igreja e de podermos caminhar e trazer Jesus à rua”, assinala uma outra jovem.
Mais à frente, um outro sublinha que a procissão “é, primeiro, um bom sítio para rezar, mas também um percurso bonito pela cidade”. Ao lado está o pai: “Acho que é importante dar testemunho público da nossa fé”.
O percurso deste ano foi alargado, com passagens pela Praça do Município, onde está a Câmara Municipal, e pelo Terreiro do Paço.
“Já há muito tempo que vinha falando disto e o patriarca este ano especificamente pediu que a procissão alargasse um bocadinho o seu percurso, para poder visitar um bocadinho mais o centro da nossa cidade”, refere Pedro Correia de Oliveira, um dos responsáveis pela organização.
“É a afirmação pública da nossa fé. É bom que os católicos venham para a rua dizer que estão presentes e que devem viver a sua fé sem qualquer problema e até com orgulho”, resume um homem que segue neste andar com a mulher e também com uma amiga. “É importante para mostrarmos o amor que Jesus tem por nós”, dizem ainda.
Milhares de pessoas saíram às ruas para participar nesta histórica procissão. Não só locais, mas muitos turistas que pararam para filmar e registar este momento. Alguns sem saber bem o que estavam a ver.
“Desculpe, consegue explicar-me o que são estas capas?”, perguntam, sobre as confrarias e irmandades que se multiplicavam em duas organizadas filas indianas que cobriam o caminho.
Marcelo Rebelo de Sousa, antigo Presidente da República, esteve presente, assim como o presidente da Câmara, Carlos Moedas.
“Para mim estas procissões representam o que os lisboetas têm de melhor. A sua tolerância e a sua capacidade de olhar e amar o outro. Num mundo em divisão vemos uma procissão em que estamos todos, em que se encontram até as várias religiões”, sublinhou o autarca da capital.