Luísa tem uma filha com paralisia e estica 720€ de salário. "O que o pobre vai fazer?”

Todos os dias às cinco da manhã, Luísa enfrenta o frio e entra num autocarro a abarrotar para uma viagem de mais de uma hora até ao trabalho. Quando chega a casa, a filha Ró exige-lhe atenção máxima. O relato hora-a-hora na vida de quem não ganha para as despesas, mas vai encontrando maneira de resistir: “Se não fosse a fé, já tinha morrido.”

23 dez, 2025 - 06:30 • Alexandre Abrantes Neves , Lara Castro , Beatriz Martel Garcia (sonorização) , João Pedro Quesado (gráficos)



Luísa tem uma filha com paralisia e estica 720€ de salário. "O que o pobre vai fazer?”

Foi por amor à filha que Luísa veio de Cabo Verde para Portugal com pouco no bolso. Foi por amor à filha que Luísa bateu à porta de tudo e todos para arranjar emprego. E foi também por amor à filha que Luísa aceitou sem queixas um trabalho que a obriga a sair de casa às cinco da manhã. Nada disto lhe custou – como também não custa acordar cedo, sentir na pele o frio da geada matinal e ouvir discussões no autocarro. O que lhe custa é “trabalhar muito e ganhar pouco, esse é que o problema”.

Luísa Ferreira tem 47 anos e é natural de Cabo Verde. Faz parte dos milhares de trabalhadores que diariamente se levantam da cama ainda na escuridão da madrugada, enfrentam o vento e as baixas temperaturas e embarcam durante mais de uma hora nos transportes públicos até ao trabalho. Ao final do mês, o esforço recompensa pouco: o dinheiro que levam para casa não chega para suportar a renda ou a prestação, a água, a luz, o gás.

Em Portugal, e segundo dados do gabinete de estatísticas da União Europeia (Eurostat), mais de 9% dos trabalhadores vivem em situação de risco de pobreza. O cenário seria ainda pior se não fosse o Estado a ampará-los: de acordo com o Observatório das Desigualdades, a taxa de risco de pobreza saltaria dos 16,6% para os 40,3% se as transferências sociais fossem abolidas.

Estes números já dão que pensar, ainda mais quando os colamos às necessidades básicas do dia-a-dia e às consequências na saúde. Em 2024, o INE concluiu que 660 mil pessoas viviam preocupadas com a falta de comida, a maioria destas com crianças a seu cargo. Às dificuldades na alimentação, juntam-se as casas com poucas condições. Também no ano passado, os dados do Observatório Nacional de Pobreza Energética mostraram que uma em cada três das famílias em risco de pobreza não tem capacidade para aquecer devidamente a casa.


Luísa (ou Bia para a família e amigos) ganha menos do que o salário mínimo nacional e entra em todos estes grupos. Vive no bairro da Quinta do Mocho, em Loures, onde residem mais de 1.900 pessoas, divididas por 680 fogos de habitação municipal, segundo dados enviados à Renascença pela autarquia.

No caso de Luísa, os gastos não se resumem à renda, às despesas da casa e à alimentação: a juntar a isso, tem uma filha de 17 anos diagnosticada com paralisia cerebral, que a faz dividir a vida entre o emprego e as funções de cuidadora. Eis um dia na vida de quem não tem tempo para descansar e não sai da pobreza.

5h00 | Abrigada na paragem e obrigada a fazer contas à vida

A única luz na rua ilumina em força a entrada do prédio e bate certo com o vigor matinal de Luísa. “Bom dia! Vamos?”. São 5h00 e está de sentinela, à espera para começar mais um dia. A vida ensinou-a a ser pontual.

“Cinco e dez, mais ou menos, [estou a sair de casa] para ir apanhar o autocarro aqui na rotunda. Depois, eu desço em Sacavém e espero para Loures, mais um autocarro para Loures”.

Nos cinco minutos desde casa até à paragem, Luísa não vê ninguém. Apesar de cautelosos com o breu, os passos são firmes e cortam o silêncio, numa altura em que ainda nem acordaram os galos nas hortas das redondezas. “Primeiro, eu faço o gabinete do corredor, o gabinete médico, os cinco gabinetes. Depois entro numa ala. Eu tenho duas alas – cada uma tem 17 quartos e 17 casas de banho”. É empregada da limpeza há 11 anos no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.


Luísa Ferreira, 47 anos, trabalha no hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Apanha todos os dias o autocarro às cinco da manhã. Foto: Lara Castro/RR
Luísa Ferreira, 47 anos, trabalha no hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Apanha todos os dias o autocarro às cinco da manhã. Foto: Lara Castro/RR
Nesta rotina, há muito frio, chuva e até discussões nos autocarros. "Os políticos deviam vir para ver a nossa vida" Foto: Lara Castro/RR
Nesta rotina, há muito frio, chuva e até discussões nos autocarros. "Os políticos deviam vir para ver a nossa vida" Foto: Lara Castro/RR


O meu ordenado é 720 e tal [euros]. Trabalho muito e ganho pouco, esse é que é o problema. O que o pobre vai fazer? Se não trabalha, já sabe como é que é.  Se não trabalha, passa necessidade, ‘né’?”.

De todas as paragens na Quinta do Mocho, Luísa escolhe aquela onde consegue estar sozinha: prefere aproveitar as primeiras horas do dia para “ficar no seu cantinho”, dedicada ao “muito que tem de pensar”. A razão é a filha mais nova, de 17 anos, que tem paralisia cerebral. É ela o fio condutor que explica toda a história de Luísa e que justifica começar o dia tão cedo para ganhar menos do que os 870€ de salário mínimo. Mas já lá vamos. Já se ouve o autocarro a subir a encosta e a aventura vai começar.

5h15 | Hora de ponta é hora de luta

As portas abrem e não há tempo para esperas no momento de validar o passe. Quem não o tem à mão, é rapidamente ultrapassado e fica para trás na missão de conseguir ficar perto de um varão para se agarrar durante a viagem. Luísa está como peixe na água: serpenteia a confusão, chega à cauda do autocarro num par de minutos e até já leva a mochila pendurada à frente para ocupar menos espaço. Para quem não está habituado, este é um caminho de empurrões, cotoveladas e de difíceis equilíbrios quando o autocarro descreve uma curva ou faz uma travagem.

“Estas são as pessoas que conhecemos no autocarro no dia-a-dia”, conta Luísa, enquanto aponta para outras três trabalhadoras da limpeza, com quem ali se cruza diariamente. As primeiras palavras servem para saber das respetivas famílias, mas também para comentar a rotina que partilham.

“Vinha tão cheio, tão cheio o autocarro ontem. Mais ninguém cabia. Hoje está mais vazio”, comenta uma delas. Luísa concorda e até critica os políticos, que deviam “vir ver como é a nossa vida, principalmente o André Ventura”. E, em jeito de resumo, tenta descodificar o que está à sua volta: “Esta hora é a hora da luta”.


OuvirPausa
Ouça aqui a reportagem da Renascença

5h33 | As discussões juntam-se ao frio

“Com licença”, “bom dia, bom trabalho”, “até amanhã”. As frases fazem parte da cordialidade de quem se cruza diariamente, mas são também um sinal de que a rotina não sai afetada pela confusão no autocarro.

“Lembra-se que a gente foi parar a Moscavide? Não conseguimos sair e fomos parar a Moscavide”, recorda, já em Sacavém. “É tanta gente que ficam em cima do motorista, ele não consegue nem respirar. Parece que vai beijar o motorista. Vocês já viram também que a maioria é preto. O autocarro fica pintado só de preto”.

A falta de espaço provoca “muita discussão” dentro dos primeiros autocarros da manhã e até Luísa, sempre calma e bem-disposta, já entrou em bate-bocas. “As pessoas não deixam passar. Pedi com licença à senhora, ela tinha outra mochila, ficou presa e a minha mochila até rasgou”, conta, entre risos, ao lado de uma colega de trabalho, enquanto esperam pelo segundo autocarro.

Quando chegou a esta paragem, a primeira coisa a fazer foi limpar discretamente o orvalho que se acumulava no banco. Apesar de as meias não taparem os tornozelos, de se dizer “habituada ao frio” e de assegurar que o casaco de veludo preto “é suficiente”, Luísa admite que nem sempre é fácil.


O meu ordenado é 720 e tal [euros]. Trabalho muito e ganho pouco, esse é que é o problema.

“Já apanhei gripe. O pior é mesmo os dias de chuva. E, às vezes, o vento… Se está a chover com vento, o vento vem assim”, afirma, imitando com as mãos o voo direto das gotas para a cara e os olhos. Mas nem isso é desculpa para chegar atrasada. “Eu não gosto que gritem comigo. Prefiro chegar na hora e fardar direitinho”.

5h53 | A ajuda de uma freira

No segundo autocarro – mais recente ou “só pintado”, como diz Luísa –, o cenário é bem mais espaçoso, mas o melhor é jogar pelo seguro e aproveitar logo um dos primeiros lugares. “Na Apelação, começa a apanhar pessoas e depois fica novamente cheio”, avisa.

Entre as curvas e colinas das zonas do Catujal e de Camarate, o sol que já vai espreitando permite vislumbrar vários outros bairros sociais, em tudo semelhantes ao “Mocho”, seja na arquitetura dos prédios, seja na quantidade de pessoas que esperam pelos autocarros.

Luísa conhece este percurso de olhos fechados – fá-lo diariamente desde 2014, até ao Hospital Beatriz Ângelo. “Foi o meu primeiro trabalho. Nunca trabalhei noutro sítio. Fui lá procurar e disse: ‘Então não é para trabalhar?’. Ela respondeu: ‘Você é das minhas’. E fez-me logo o contrato”.

Nessa altura, Luísa tinha chegado a Portugal há pouco tempo, vinda de Cabo Verde, e só sobreviveu graças à ajuda de uma freira. “Era a irmã Purificação. Ela ajudava as pessoas, tratava dos documentos, dava comida, roupa, sapato, brinquedo”, recorda, com a voz doce que, ao longo da conversa, utiliza sempre para falar das memórias que guarda com carinho.


“Temos de fugir para não nos tirarem as crianças?” Marlene levou bebé do Hospital de Gaia, Júlia perdeu quatro filhas para adopção


No início do século, as religiosas do Sagrado Coração de Maria ergueram no bairro da Quinta do Mocho um pequeno projeto social, com o objetivo de ajudar as quase 2.000 pessoas que ali vivem. No Natal, Páscoa e arranque do verão, os alunos do colégio privado em Lisboa gerido por aquela congregação religiosa eram convidados a contribuir com alimentos para cabazes alimentares, posteriormente distribuídos no bairro. “Era muita gente mesmo”.

Em 2018, e depois da morte repentina da freira responsável, a congregação não conseguiu continuar o projeto no bairro. A exceção é Luísa, que ainda mantém uma boa relação com uma professora do colégio e continua a receber cabazes de alimentos três vezes ao ano. Uma ajuda “muito boa” e também a única que recebe, depois de lhe “tirarem o Banco Alimentar e pedirem muita papelada”. “Agora [no Mocho], é cada um por si. Tem de desenrascar”, resume.

6h27 | Chegada ao hospital

“Oh, ganhei o Euromilhão. Não ‘tás a ver que tenho dois guarda-costas, aí? Hoje eu estou chique!”. A saída do autocarro é um fartote de gargalhadas graças a Luísa, que brinca com as câmaras e os microfones, estranhos à rotina e aos cumprimentosdos colegas do hospital que também apanham o 2725. “É uma senhora impecável”, responde um dos seguranças, diretamente à Renascença.

A saída para o recinto do Beatriz Ângelo revela uma viagem circular: Luísa volta a estar sozinha, num silêncio semelhante àquele com que começou o dia na Quinta do Mocho. Só o interrompe quando encontra uma das responsáveis pelo serviço de limpeza e desce a rampa, para entrar pelas portas de serviço.

“Tchau, até logo, vou deixar vocês”, despede-se, com um sorriso no rosto e já a pensar no encontro da tarde, depois do turno. A Unidade Local de Saúde Loures-Odivelas não autorizou a reportagem da Renascença a acompanhar o trabalho de Luísa.


Rosângela, ou Ró, tem 17 anos e paralisia cerebral. "Deus deu-ma assim. Eu aceito", diz a mãe Luísa. Foto: Lara Castro/RR
Rosângela, ou Ró, tem 17 anos e paralisia cerebral. "Deus deu-ma assim. Eu aceito", diz a mãe Luísa. Foto: Lara Castro/RR
Luísa tem seis filhos e três vivem com ela no Mocho. Ainda assim, o dinheiro não dá para tudo. "Ainda não pus água quente". Foto: Lara Castro/RR
Luísa tem seis filhos e três vivem com ela no Mocho. Ainda assim, o dinheiro não dá para tudo. "Ainda não pus água quente". Foto: Lara Castro/RR


“Eu aceito. Ela é a minha vida”

O dia de Luísa é cronometrado ao minuto. Às 15h00, sem falta, tem de estar na paragem de autocarro perto do hospital para vir para casa, onde chega meia hora depois – um percurso bem mais rápido do que aquele que faz de manhã, graças ao trânsito reduzido e à maior frequência de autocarros.

Já na Quinta do Mocho, pelas 16h00, Luísa tem de estar a postos para receber a carrinha da autarquia, que transporta a filha mais nova desde a escola até casa. “Eu vim de Cabo Verde por causa da Ró. À nascença, eu notava logo diferença da Rosângela em comparação às outras filhas”.

Fixaram-se em Portugal em 2012, ainda na margem sul do Tejo. Andaram meses a fio de consulta em consulta até o diagnóstico ficar fechado: 84% de incapacidade, devido à paralisia cerebral. Nessa altura, mudaram-se para a Quinta do Mocho e, desde aí, “não há razão de queixa” por parte do Serviço Nacional de Saúde.

Ró é seguida no Hospital D. Estefânia e no Hospital de Sant’Ana, onde está para breve uma nova operação às articulações e tendões dos pés. Os problemas ortopédicos obrigam também a muita ginástica nos horários, para garantir a fisioterapia e a natação duas vezes por semana. Mas na voz de Luísa não há nem um pingo de revolta ou de vontade de desistir.


Hoje eu posso estar cá, amanhã não. Por isso é que eu lhe ensino as coisas. Para ela não depender das pessoas.

“Deus deu-ma assim, eu amo-a. Eu aceito. A única coisa [que peço] é para me dar força e coragem para lutar por ela. Ela é a minha vida”.

Todos os dias, a família diz esforçar-se por tratar a filha como uma adolescente “normal”: ensinam-na a limpar a casa, a levantar a mesa, a lavar os pratos, a vestir-se sozinha. A mãe Luísa explica porquê: é o “medo” do futuro.

“Hoje eu posso estar cá, amanhã não. Ela não tem pai. Para tomar conta, só se for a minha mãe, a minha família. Por isso é que eu gosto de lhe ensinar as coisas. Para ela não depender das pessoas. É difícil, só quem tem é que valoriza”, diz, enquanto enxuga rapidamente as lágrimas. “Ela não gosta que eu chore, diz para eu ter calma”.

Banho quente? Só com água fervida

No dia-a-dia, uma das maiores dificuldades de Luísa passa pela “pouca flexibilidade” no trabalho: seja pelos colegas que não conseguem trocar de turno ou por incompreensão das chefias, Luísa acaba a faltar muitas vezes para levar a filha ao médico e isso sente-se no ordenado.

“Se faltei ao trabalho, se não faltei, às vezes vai para menos de setecentos, porque não tenho oito horas de trabalho. Só tenho sete por causa da Ró. Antes ainda era menos, eram três horas”, adianta.


Pela mesma razão, e ao contrário de muitas colegas de trabalho, Luísa não consegue acumular empregos ou trabalhar ao fim-de-semana. Vale-lhe o ordenado dos três filhos maiores que vivem com ela e a ajuda do Estado, mas também aí a situação vai complicar-se: no próximo ano, quando Ró completar 18 anos, o abono de família vai desaparecer (cerca de 350€) e restará apenas o complemento de deficiência da filha, à volta dos 220€.

É dinheiro “que importa” e basta pegar na calculadora para perceber. Com a renda de casa acima dos 450€, os produtos ortopédicos da Ró a chegarem aos 300€, as despesas com os dois netos que ali vivem e ainda a conta da água, da luz e a bilha do gás para cozinhar, ao final do mês resta muito pouco. E, na hora de escolher, abdica-se do conforto térmico.

Eu ainda nem pus água quente. Está a ver? Não há esquentador. Para tomar banho, fervemos a água”, conta, enquanto o neto de dois anos se senta no chão frio de mosaico branco. “Aqui a casa é muito fria. Não temos aquecedores. Nas noites muito frias é cobertores e mantas e pronto”.

O sonho de um café e de um emprego para a filha

Neste T4, onde a maioria das divisões não está virada a sul e não apanha luz do sol, vivem três dos seis filhos de Luísa: além de Ró, estão ali duas filhas que vieram recentemente de Cabo Verde, uma com um filho bebé e outra com uma rapariga de nove anos. De quando em vez, ainda aparece a mãe de Luísa e outro filho que, apesar de trabalhar no setor da construção civil na zona centro, aparece ao fim-de-semana e também ajuda nas despesas.

“A Ró tem um quarto só para ela. Eu também. De resto, quando é preciso, pomos colchão na sala ou lá no meu quarto, que é espaçoso, e deitamos. Para desenrascar, até orientar a vida”.

No Natal, e apesar de ainda não haver dinheiro para o bacalhau e presentes, o plano é juntarem-se todos à mesa para celebrar e agradecer. “Eu tenho fé. Deus vai abrir a porta”.


Apesar de o cinto estar bem apertado este ano, Luísa não para de sonhar. No verão, costuma organizar pequenos festivais de comida à porta do prédio, onde vende sandes, bebidas e até cachupa e chega a fazer entre 100 e 200 euros. É uma forma de ajudar nas despesas – e, mais importante ainda, de reviver o sonho de ter um comércio próprio.

“Em Cabo Verde, eu vendia comida, tinha matraquilhos e roupa também. Viajava para o Brasil e Espanha, comprava e revendia”, recorda. “Se me dessem um café, eu vendia tudo: fazia pequeno-almoço, almoço e jantar, um grelhadinho, cada hora uma coisa. Da minha terra e daqui também”.

No sapatinho do Natal, além do projeto do café, Luísa sonha com saúde, comida para ter na mesa, “amor dos filhos e da mãe” – e, claro, um futuro risonho para a filha Ró.

“Força e fé, Deus sempre. Se não tivesse fé, talvez eu já tivesse morrido. Eu não vou tirar a fé de que a Rô ainda vai arranjar um emprego. ‘Né’, Rô? Vai ser o quê?”. A resposta não tarda: “Música? Cantora? Força!”


Artigos Relacionados