É o pesadelo que, neste momento, mais a atormenta. “À noite, no meu quarto, choro muitas vezes. Não consigo dormir, com medo. O que é que me espera amanhã? Porque hoje eu já sei. Amanhã, não sei”.
Sílvia Carvalho diz viver “um dia de cada vez”.
Discriminada por ser mãe sozinha
É também o caso de Andreia Chaves. Conhecemo-la na véspera de mais uma audiência em tribunal. Aos 35 anos, esta mãe não esconde o nervosismo. Fala connosco enquanto vai mexendo as mãos, sempre inquietas, com o pensamento no dia seguinte.
Com três filhos menores, sobreviveu a uma década de violência física e emocional num casamento que acabou há três anos. “Quando ouves o teu filho a dizer: 'Ó mãe, quando é que isto vai acabar?'... Foi aí que tomei a decisão de me separar. Aí convenci-me que tinha de lutar pelo bem estar dos meus filhos e pelo meu”, recorda Andreia, convicta de que tomou a decisão certa. “Se até agora nunca me faltou nada, não vai ser agora que vai faltar”.
"Parece que seria melhor estarmos com um companheiro a levarmos porrada do que sermos mães solteiras", desabafa Andreia.
No primeiro ano após a separação, Andreia chegou a ter três empregos. Atualmente é auxiliar de limpeza numa escola, a recibos verdes. Com o valor do abono e da pensão de alimentos dos filhos entram em casa mil euros mensais. Mas mais de metade — 520 euros — vai para a renda.
As contas são sempre “muito apertadas”. “É a contar cada cêntimo”, diz-nos a trabalhadora, que admite nunca ter imaginado que fosse tão difícil arranjar emprego por ser mãe sozinha. “Somos discriminadas”, diz revoltada.
“Numa entrevista de trabalho, um senhor perguntou se ia deixar os meus filhos em casa sozinhos para vir trabalhar. Eu disse que não podia trabalhar à noite e que os fins de semana não eram garantidos. Ele disse que, então, não podia ficar comigo, por causa dos três menores ainda a meu cargo”.
“Somos prejudicadas por termos filhos. Parece que seria melhor estarmos com um companheiro a levarmos porrada do que sermos mães solteiras”, lamenta indignada.