Pelo resto da casa não faltam alguidares e caixas com objetos amontoados que contam a história de quem ali viveu. “Olhe, isto era o cartão de pensionista do meu marido”, conta, enquanto apanha do chão o documento.
Desde as cheias que atingiram Alcácer do Sal, há quase um mês e meio, tem recebido apoio alimentar da Câmara Municipal. “A comissão do futebol aqui da aldeia em frente, o Vale de Guizo, fizeram peditórios e angariam algum dinheiro para os quatro [moradores] desta rua, que foram os mais lesados, mas foi pouco”, diz a reformada, contando que um grupo de conhecidos da neta lhe deu uma máquina de lavar, um ferro e um frigorífico. Dos apoios prometidos pelo Estado, ainda não recebeu nada. “Nem penso já que me vão ajudar”, lamenta.
Sem apoios do Estado
À Renascença, a presidente da autarquia, Clarisse Campos, adianta que o município e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Alentejo validaram até agora candidaturas no valor de 300 mil euros.
“Essas candidaturas aprovadas estariam em condições já de as pessoas terem recebido o dinheiro, mas ninguém recebe porque a CCDR não tem [o dinheiro]. Não foi transferido do Governo e, portanto, não têm como pagar”, afirma a autarca.
De cada vez que falo com alguém do Governo dizem-me que estão a estudar - Clarisse Campos
No início da semana, voltou a confirmar com a CCDR que não tinha havido qualquer transferência. “De cada vez que falo com alguém do Governo dizem-me que estão a estudar, estão a estudar, que vai ser rápido, mas a verdade é que não passa disso”, lamenta.