Apoiar quem apoia os outros
A U.Academy nasce em 2016 como ramo da U.Dream (criada em 2012). Se o projeto-mãe visa “concretizar os sonhos de crianças e de famílias a atravessar uma fase delicada de saúde e socioeconómica”, colocando estudantes do ensino superior a trabalhar com tais situações, o projeto que vence o concurso da Fundação Jornada pretende cuidar desses jovens voluntários e da sua saúde mental, capacitando-os “para aprenderem a gerar impacto social positivo nas comunidades”, explica o fundador da iniciativa, Diogo Cruz.
“A bondade era muita, mas não havia uma proteção do jovem que estava a dedicar-se a estas famílias e a estas crianças." Focado em promover "a capacitação de competências de liderança comunitária em estudantes de ensino superior" e "permitir que qualquer jovem que queira dedicar-se, fazer voluntariado, ajudar o outro, passe por um processo de capacitação”, o programa U.Academy inclui formações semanais ao longo de um semestre, a que se junta voluntariado igualmente semanal numa das mais de 35 instituições que os alunos têm à disposição. A ideia é “criar uma comunidade de impacto” e, entre os projetos disponíveis, há ações de voluntariado como apoio a idosos em isolamento, trabalhos em centros de dia ou cuidados em canis e gatis.
A maior parte dos inscritos são do Porto e de Braga, mas é também possível participar nas formações à distância, aproveitando o modelo online. “São jovens que partilham um senso de comunidade, de bondade, de fazer bem a alguém, mas que não sabem exatamente como ou por onde começar”, esclarece o fundador.
Com o dinheiro atribuído pela Fundação Jornada, a ideia é “dar o próximo passo”. Ao longo deste ano, a organização quer trazer uma “inovação” ao projeto: “Conseguir incluir no programa, enquanto participantes, jovens de ensino superior que também estão eles em risco de exclusão social”.
Os jovens com deficiência passarão também a ser um dos focos da instituição, para que possam participar nas atividades e também eles consigam contribuir para ajudar a comunidade em que estão inseridos. Isto implica um reforço de recursos humanos. “Precisamos de colaborar com especialistas que conheçam mais e melhor como é trabalhar com pessoas que são jovens com deficiência, como é que podemos eventualmente adaptar os nossos materiais, a própria experiência do voluntariado.”
Por ano, a U.Academy garante que participam 200 jovens nas formações semestrais. No total, dizem já ter conseguido “impactar mais de 1.500 jovens ao longo destes anos”.