Inês Coito tem 17 anos, começou a cantar por brincadeira "quando era pequena", hoje cala a assistência quando fecha os olhos e projeta a voz no fado "Perseguição", e vem à Escola do Fado por se sentir feliz e realizada.
A jovem fadista argumenta que quando canta "não existe mais nada", quer "transmitir aos outros felicidade" ao mostrar o que consegue fazer com a voz, mesmo "quando os fados são tristes". Porém, sempre com o objetivo de "chegar mais longe", reconhece ter à sua frente "uma batalha e uma luta" muito grandes.
Os jovens intérpretes têm aulas na Escola do Fado da Associação Cultural o Fado (ACOF), em Chelas, Lisboa, uma escola decorada em ambiente de bairro, entre xailes, pinturas da cidade, fotografias de fadistas e guitarras nas paredes, onde têm a "oportunidade de aprender errando" sem qualquer censura, argumenta o professor da escola, Carlos Fonseca.
"Classificado como suposto" professor, como se define, meio a brincar, Carlos Fonseca dá indicações aos fadistas, entre uma expressão no olhar e o dedilhar de notas nas cordas da guitarra, que os jovens percebem com um acenar de cabeça sempre com o objetivo de melhorar a colocação da voz, de encontrar o melhor momento para uma pausa que lhes permita respirar, ou mesmo para alterar a velocidade com que fraseiam.