Envolvido no projeto do museu está o músico Miguel Jalôto, especialista em instrumentos musicais antigos que confessa que olha para o acervo do museu como “uma criança numa loja de doces”.
“Estive a estudar no cravo de Pascal Taskin, de 1782. É um dos tesouros nacionais que o Museu Nacional da Música reúne. São várias as peças que estão assim classificadas e que contam muito, não só da História de música em Portugal, como da música ocidental”, diz o músico. Miguel Jalôto considera que a exposição está “muito mais plural”.
Ao dispor do visitante está uma área de dois mil metros quadrados de exposição, numa reabilitação de uma área total de oito mil metros quadrados, que incluem também área de reservas e espaços comuns como a bilheteira, a loja e cafetaria.
Serão mostradas cerca de 500 peças da coleção. Duas delas, destaca o músico Miguel Jalôto, os dois cravos Antunes. “A coleção não é imensa, mas tem peças importantíssimas”, como é o caso do famoso violoncelo de Stradivarius.
Projeto grava música barroca nunca registada
A abertura do Museu Nacional da Música coincide com o lançamento de um novo projeto musical designado de “Bússola Barroca”, que conta com o apoio da Fundação Gaudium Magnum. Em entrevista ao Ensaio Geral, a sua copresidente, Maria Cortez de Lobão, explica que se trata de um projeto que visa a gravação discográfica de música barroca portuguesa que nunca foi registada.
“Iremos fazer a gravação e um concerto de peças de Carlos Seixas que são inéditas. Ele terá tocado para o D. João V quando as compôs, mas desapareceram do mapa da música desde então”, sublinha Maria Cortez de Lobão, que destaca assim o “esforço entre o Museu Nacional da Música, os peritos das peças e dos restauros e a artista convidada Béatrice Martin”, cravista nascida em França, professora da Juilliard School desde 2015.