09 out, 2014 • Aura Miguel, no Vaticano
As discussões sobre os católicos divorciados que voltaram a casar têm decorrido de forma franca e acalorada no Sínodo da Família, revela o cardeal Francesco Coccopalmerio.
Há duas tendências no sínodo que decorre no Vaticano, mas sem antagonismos, diz o presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos.
"Posso dizer que, no clima de absoluta abertura, sinceridade e espontaneidade que o Papa indicou no início, de modo magistral, têm vindo ao de cima confissões em que cada um diz o que pensa e diz com veemência. As duas posições estão presentes, mas não há antagonismo, nem há contraposição entre inimigos. O que há é uma escuta – como disse o Papa – cordial, humilde e sincera", diz o cardeal Francesco Coccopalmerio.
Dentro do sínodo, há quem sublinhe a verdade do sacramento acima de tudo e outros preferem valorizar a misericórdia, mas a dicotomia não agrada ao presidente da Conferência Episcopal Canadiana, o arcebispo Paul-André Durocher.
"Às vezes, leio na imprensa e oiço falar em linha da justiça e linha da misericórdia. Não me parece que seja a melhor maneira de falar deste assunto. Creio que os que defendem com força o não acesso à eucaristia dos católicos divorciados que voltaram a casar também vêem isto como um exercício de misericórdia porque a misericórdia é levar as pessoas à verdade. O que estamos a fazer é tentar descobrir a vontade de Deus", argumenta.
Durocher considera "normal e saudável" para a Igreja a discussão em torno deste assunto e acredita que o diálogo "não vai terminar com este sínodo, mas vai continuar".
As discussões do sínodo da família ainda vão a meio. Na próxima semana, haverá grupos de trabalho mais pequenos, para favorecer ainda mais o diálogo. O encontro termina no próximo dia 19.
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