Credores querem subir impostos e baixar salários da função pública na Grécia
25 jun, 2015 • Sandra Afonso
Aumento do IVA para vários sectores, redução do preço dos genéricos e diminuição da despesa na Defesa são algumas das condições impostas pelos credores para tentar chegar a um acordo com Atenas.
Já são conhecidos os detalhes da proposta dos credores para resolver a crise da Grécia e manter o país no euro. As instituições que compunham a troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) pedem o agravamento de impostos e o fim de alguns subsídios.
Para começar, a proposta dos credores agrava ainda mais o IVA, passando para a taxa máxima, de 23%, restaurantes, hotéis e "catering". Na taxa intermédia, de 13%, fica a alimentação, energia e água. Continuam a ser taxados a 6%, a taxa reduzida, os medicamentos, livros e bilhetes de teatro.
A reforma das pensões de 2010 é para aplicar na íntegra, diz o documento. Esta inclui fortes desincentivos à reforma antecipada e manda que os levantamentos do fundo de Segurança Social sofram nova penalização anual de 10%. Os fundos de pensões suplementares passam a ser pagos pelos próprios, entre outras medidas.
Os credores querem também que a Grécia aperte a legislação para evitar a fuga à tributação sobre o trabalho e impõem o fim dos subsídios ao gasóleo agrícola, a revisão da tributação sobre o património e o agravamento das penas para a evasão fiscal.
Na saúde, FMI, Comissão e BCE querem reduzir as despesas, através de medidas como a redução do preço dos genéricos ou dos testes de diagnóstico e gastar menos com a Defesa. É ainda pedido ao Estado que estenda o imposto de luxo e sobre barcos de recreio. Há também instruções para que avance a reforma da tabela salarial na função pública.
A lista termina com as privatizações e o pacote de activos a vender, entre eles os aeroportos regionais e alguns portos.
Caso a Grécia aceite esta proposta, poderá estar encontrado o acordo necessário para permitir um novo empréstimo a Atenas.
A falta de um acordo, e de uma solução financeira para o país que não tem dinheiro para pagar às instituições o valor devido até ao fim do mês, poderá levar à saída da Grécia da zona euro, com impactos difíceis de calcular.