Os participantes do primeiro Congresso Mundial de Associações Homossexuais Católicas, que decorre até quarta-feira em Portimão, estão satisfeitos por saber que o sínodo da família vai discutir questões relacionadas com as suas preocupações.
"Os pontos estão no documento, terão de ser debatidos e terá de ser alguma coisa concluída sobre isso", diz à
Renascença José Leote, presidente da
Rumos Novos, associação de homossexuais católicos.
"Julgo que haverá uma maior abertura e sobretudo apraz registar a linha do documento em relação ao cuidado pastoral a dar aos filhos destes casais. Ao reconhecermos que estes casais têm filhos, está-se implicitamente a reconhecer a identidade dos seus pais. Isso também é uma caminhada. Dar o mesmo cuidado pastoral que aos filhos dos casais heterossexuais é muito bom e certamente que isso sairá no documento", afirma.
O texto do "
instrumento de trabalho" para o
sínodo diz, no ponto 120, que "caso as pessoas que vivem nestas uniões peçam o baptismo para o filho, as respostas [ao inquérito feito aos católicos de todo o mundo], quase unanimemente, ressaltam que o filho deve ser acolhido com as mesmas atenção, ternura e solicitude que recebem os outros filhos".
O texto continua dizendo: "É evidente que a Igreja tem o dever de averiguar as condições reais em vista da transmissão da fé ao filho. Caso se alimentem dúvidas racionais sobre a capacidade efectiva de educar cristãmente o filho por parte de pessoas do mesmo sexo, garanta-se o apoio adequado – como de resto é exigido de qualquer outro casal que pede o baptismo para os seus filhos. Neste sentido, uma ajuda poderia vir também de outras pessoas presentes no seu ambiente familiar e social. Nestes casos, a preparação para o eventual baptismo do filho será particularmente cuidada pelo pároco, também com uma atenção específica na escolha do padrinho e da madrinha".
À espera de "maior acolhimento"José Leote espera que saia do sínodo uma mensagem de "maior acolhimento" para os homossexuais.
"Em relação às pessoas do mesmo sexo espero que haja uma mensagem do verdadeiro acolhimento. Nesse sentido, o mínimo que esperamos que saia do sínodo é essa linha de maior acolhimento dessas pessoas. Se formos por aí já estamos no bom caminho", conclui.
Sejam quais forem as outras conclusões do encontro organizado pela Rumos Novos, José Leote considera que o principal objectivo já foi alcançado. "Antes de o congresso estar concluído já podemos dizer que foi alcançado o objectivo da criação de uma organização mundial de associações homossexuais católicas", afirma.
As conclusões do congresso, diz José Leote, serão enviadas ao secretário-geral do sínodo para a família, que decorre por estes dias em Roma.
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