30 set, 2015 - 10:56 • Célia Domingues, com Teresa Almeida
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Tudo começou em 2014, quando a escola do 1.º ciclo de Monsanto, concelho de Idanha-a-Nova, acabada de inaugurar, foi encerrada pelo Ministério de Educação. Sem outros recursos, os pais pediram ao agrupamento escolar de Idanha que lhes fosse atribuída a possibilidade de optarem pelo ensino doméstico. A autorização não foi concedida, mas, ainda assim, as crianças não foram à escola durante o último ano lectivo.
Depois de acompanhadas por duas professoras ao longo de um ano, as crianças ficaram a saber, nos últimos dias, que, afinal, não transitaram de ano porque estavam em situação ilegal. Acabaram por chumbar por faltas injustificadas.
Foi no primeiro dia de aulas que os pais ficaram a saber que o Ministério da Educação não reconhecia a avaliação positiva aos alunos, atribuída pelas docentes.
O Ministério da Educação promete um esclarecimento para mais tarde. Já a direcção de agrupamento de escolas, e apesar da insistência da Renascença, não quer fazer comentários.
Os pais recusam prestar declarações à Renascença, mas vivem uma revolta silenciosa. Dizem apenas que as crianças passaram o Verão convencidas de que tinham transitado de ano.
Autarca ao ataque
O presidente da Câmara de Idanha-a-Nova exige explicações e lembra que das 11 crianças duas eram do 4.º ano e "fizeram exame na escola pública, sem quaisquer impedimentos”.
Armindo Jacinto queixa-se de que há "dois pesos e duas medidas" porque a reprovação dos alunos "é baseada em abandono escolar, quando na Comissão de Protecção de Crianças isso não foi provado".
"Só o Ministério da Educação é que veio dizer que era ilegal, mas essa não é a interpretação dos juristas com quem temos falado", diz.
Para o autarca, este caso tem contornos de perseguição política. "Existem escolas no país a funcionar com menos de 20 alunos e a fazer mais distâncias diárias do que estas crianças de Monsanto”, sublinha.
O Ministério da Educação tem em curso um processo de inquérito, a decorrer desde o final do 1.º período, visando apurar responsabilidades a quem permitiu o abandono escolar das 11 crianças matriculadas na escola pública. Enquanto o caso não se resolve, a câmara assegura o transporte de 14 crianças para a sede de concelho, que fica a 30 quilómetros.
Notícia actualizada às 19h42 de 1 de Outubro