Um grupo terrorista atacou uma igreja em Cabo Delgado, a mais de dois mil quilómetros da capital de Moçambique, e mais de 20 pessoas foram temporariamente capturadas enquanto cometiam os atos de vandalismo, confirmou o bispo de Pemba, D. António Juliasse, à Renascença.

A histórica paróquia de São Luís de Monfort ficou "completamente" queimada e destruída na quinta-feira, assim como o hospital local e várias casas nas redondezas.

"Os extremistas islâmicos, os jihadistas, entraram impunemente na aldeia onde se encontra a paróquia de São Luís de Monforte depois de vandalizarem o hospital, o posto de saúde local e de terem queimado algumas casas", revelou.

O bispo lembrou que há já nove anos que estes ataques se sucedem e pediu ajuda internacional.

"Faz tempo que vivemos esta dor, são nove anos de destruição e de mortes."

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"Peço que se olhe para o sofrimento deste povo. Temos tido alguma atenção da União Europeia na preparação das tropas, mas não vemos resultados", lamenta Juliasse, garantindo que "alguma coisa está a fracassar".

O bispo insistiu para que a comunidade internacional seja solidária.

"Que não falte o sentido de solidariedade com as pessoas que ficaram sem casas, sem comida e também para com os missionários que perderam tudo."

Já a diretora da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Catarina Bettencourt, também lamentou mais um ataque à região africana.

"Infelizmente, não é novidade e o mundo continua a não falar destes ataques", criticou.

Bettencourt acredita que "Moçambique está praticamente sozinho".

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há quase nove anos, com o primeiro ataque registado em outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.