Um estudo de investigadores da Universidade Nova mostra que o urso pardo na Península Ibérica sofreu uma redução significativa de tamanho, superior a 50%, ao longo de milhares de anos, anunciou hoje a Universidade Nova de Lisboa.

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O trabalho, sobre a evolução da dimensão e adaptação do urso pardo (Ursus arctos) na Península Ibérica ao longo do Plistocénico (há entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos), revelou que os animais do passado eram "significativamente maiores e mais robustos do que os atuais, podendo, em alguns casos, ultrapassar os 300 quilos". Atualmente, o seu peso varia entre 140 quilos nos machos e 100 quilos nas fêmeas.

Segundo os investigadores, "esta diminuição estará fortemente associada à pressão humana e à alteração de habitats", fatores que marcaram a evolução recente da espécie, refere um comunicado divulgado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCT).

Além de caracterizar o tamanho e a morfologia dos ursos, a investigação estabelece um novo modelo evolutivo para o urso pardo na Península Ibérica, identificando diferentes populações ao longo do tempo e possíveis mudanças relacionadas com o clima e o ambiente.

O estudo baseia-se na análise de mais de 500 fósseis provenientes de seis locais em Portugal: Gruta da Furninha (Peniche), Gruta das Fontainhas (Cadaval), Serra de Molianos (Alcobaça), Gruta do Caldeirão (Tomar), Gruta do Escoural (Montemor-o-Novo) e Gruta da Oliveira (Torres Novas).

Os investigadores concluíram ainda que algumas populações antigas de urso pardo apresentavam características físicas semelhantes às do extinto urso-das-cavernas (Ursus spelaeus), sugerindo que estes animais poderão ter ocupado nichos ecológicos semelhantes em determinadas regiões, na ausência daquela espécie.

Outra das conclusões do trabalho é que, nos fósseis analisados em Portugal — onde o urso pardo está extinto desde o século XIX devido à ação humana —, "não existem até ao momento evidências de outras espécies de ursos".

Intitulado “Ursos pardos do Plistocénico em Portugal: tendências morfométricas, fatores paleoambientais e inferências paleobiológicas”, o estudo foi desenvolvido por Darío Estraviz-López, enquanto estudante de doutoramento da NOVA FCT, e por María Ríos, investigadora de pós-doutoramento da instituição, contando também com a colaboração de investigadores internacionais.

O trabalho foi publicado na revista científica “Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology”.