A matemática deve ser ensinada de forma exigente desde os primeiros anos de escolaridade. A ideia é defendida por Jorge Buesco, matemático e professor do Instituto Superior Técnico.

Em declarações à Renascença, Buescu sublinha que o conhecimento nesta área depende sempre do que foi aprendido anteriormente.

“A matemática é uma ciência que se constrói degrau a degrau. Não se pode passar diretamente para o andar 12 sem ter passado pelos andares anteriores”, explica o docente, acrescentando que os conteúdos do ensino secundário dependem diretamente do que é aprendido nos anos anteriores.

Para o matemático, o ensino da disciplina também depende muito da forma como é transmitido pelos professores. Ensinar exige paixão e dedicação, caso contrário dificilmente se consegue despertar o interesse dos alunos.

Se um professor não está apaixonado por aquilo que ensina, dificilmente consegue fazer com que os alunos fiquem apaixonados”, afiança.

Jorge Buescu lembra ainda que o desinteresse pela matemática não é exclusivo de Portugal, mas considera que algumas estratégias educativas mais permissivas tiveram impacto nos resultados nacionais.

Segundo o professor, Portugal chegou a registar uma evolução significativa nos testes internacionais, ultrapassando países como a Finlândia em 2015, mas essa progressão acabou por inverter-se.

“Com esta estratégia de facilitismo e simplificação a todos os níveis, fomos descendo e hoje estamos ao nível de há quase 30 anos”, refere.

Para inverter esta tendência, Jorge Buescu defende uma aposta clara na formação dos professores: “O professor é o ponto de contacto entre os alunos e a matemática. Tem de saber sempre mais, de preferência muito mais do que aquilo que está a ensinar.”