15 jan, 2016 - 16:00 • Marina Pimentel , João Carlos Malta
Mais de mil famílias perderam a casa em Portugal por dívidas ao Fisco entre 2012 e 2015. A contabilidade é feita pela Autoridade Tributária (AT) a pedido da Renascença.
O total de penhoras foi de mais de 112 mil neste período, mas não engloba apenas casas. Há também neste universo espaços comerciais ou lotes industriais.
Na Assembleia da República, decorre o processo que vai reverter a possibilidade de penhorar ou vender as casas de família devido a dívidas fiscais e à Segurança Social.
Os números das execuções fiscais serão discutidos este sábado no programa “Em Nome da Lei” da Renascença. Segundo os dados enviados pelo Ministério das Finanças, do total de vendas de imóveis realizadas, nos anos de 2012 a 2015, 14.952 (quase à média de quatro mil por ano), menos de uma em cada dez eram casas de família. Ou seja, o grosso serão espaços comerciais, prédios rústicos e armazéns industriais.
No período compreendido entre Janeiro de 2012 e o fim do ano passado, o número total de vendas de imóveis marcadas (que engloba imóveis afectos a todo o tipo de finalidades – comércio, indústria, lotes de terreno para construção, prédios rústicos e para habitação) foi de 152.386.
Por comparação, o total de imóveis efectivamente vendidos (vendas com adjudicação), número que engloba imóveis afectos a todo o tipo de finalidades, devido a uma execução fiscal, instaurado para cobrança de dívidas, foi de apenas 14.952.
“A diferença significativa entre o número de vendas marcadas e o número de vendas adjudicadas, sem que se reconduza unicamente a este aspecto, atesta a importante eficácia dissuasora do incumprimento, que advém da mera marcação da data de venda deste tipo de bens”, sublinha fonte do ministério das Finanças.
Na mesma resposta, a AT explica que do valor da venda do imóvel servirá para liquidar todas as dívidas tributárias do devedor e que só se no final se houver dinheiro em excedente é que o mesmo será devolvido ao proprietário do imóvel.