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Economista João Duque não afasta "possibilidade de défice"

01 jul, 2025 - 10:30 • Marisa Gonçalves

​“Uma pequena oscilação pode atirar-nos para o vermelho. Não está afastada a possibilidade de défice”, diz João Duque.

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“Uma pequena oscilação pode atirar-nos para o vermelho. Não está afastada a possibilidade de défice”, diz João Duque.

O excedente das contas públicas aumentou em maio para perto de 600 milhões de euros, segundo consta da síntese da execução orçamental divulgada esta segunda-feira.

O valor do excedente quase quadruplicou em relação ao mês anterior, em grande medida devido à diminuição dos reembolsos do IRS e do IVA.

São dados positivos, assim diz à Renascença o economista João Duque, sublinhando ao mesmo tempo, que não é possível afastar o cenário de défice orçamental, até ao final do ano. O economista lembra que podem ocorrer oscilações nos valores da receita.

“O ministro das Finanças tem de ter um controlo permanente das contas públicas, tem de vigiar permanentemente a execução da despesa e a receita. No entanto, eu reforço que se houver uma necessidade em que a despesa tenha de resvalar por algum motivo, aí podemos entrar no vermelho com alguma facilidade”

O economista lembra que o saldo das contas públicas é limitado e que, por isso, a gestão terá de ser cautelosa.

“Nós trabalhamos com um saldo previsto bastante limitado, portanto, quando um saldo é limitado, uma pequena oscilação pode retirar esse saldo. Agora, o ministro das Finanças está confiante porque ele tem instrumentos que pode usar, de último recurso, que permitam evitar essa essa situação. Pela dinâmica da economia pode acontecer. Penso que o Ministro das Finanças está confiante que, olhando para os recursos que tem, e que podem passar pelo adiamento de alguma despesa, pode equilibrar as contas e não entrarmos no vermelho”

O economista sublinha também que este é um ano atípico, do ponto de vista das finanças públicas.

“Aquilo que o Estado não cobrou porque devolveu aos contribuintes, dado que houve uma redução dos impostos sobre alguns rendimentos, as pessoas acabaram por gastar em consumo. Portanto, mas assim que o dinheiro entra em circulação e é canalizado para o consumo, uma parte dele através do IVA, vem parar outra vez aos cofres do Estado. Ou seja, isso atenua o efeito daquilo que parecia um pouco assustador, uma perda de receita fiscal que se verificou no ano passado, em determinada altura, mas que depois acaba, no ano subsequente, que é o caso deste, por ter um efeito um bocadinho compensador”

João Duque alerta ainda para as incertezas quanto à economia global e para a volatilidade dos mercados internacionais.

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