29 out, 2025 - 23:47 • Redação com Lusa
Pode estar em risco a produção automóvel na Europa já nos próximos dias.
A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis alerta que algumas empresas podem ser obrigadas a interromper a produção nos próximos dias devido à escassez de chips.
Em causa está o bloqueio da Nexperia, um fabricante chinês de componentes eletrónicos, às exportações para a Europa. Bloqueio motivado pela nacionalização de uma das suas fábricas nos Países Baixos.
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Na resposta, Pequim proibiu a exportação de chips para o mercado europeu, mantendo a produção apenas para o mercado interno chinês. Estamos a falar de componentes de iluminação, controlo eletrónico e sistemas de travagem.
Cerca de 60% da produção da Nexperia é destinada à indústria automóvel. E há fabricantes, como a BMW e a Volkswagen podem ter de parar as suas linhas de montagem já nos próximos dias.
Em Portugal , o setor automóvel envolve mais 200 mil trabalhadores e 8 mil empresas.
A maior parte são micro e pequenas empresas, mas há também grandes grupos industriais como a Autoeuropa ou a Stellantis
Em termos económicos, o setor automóvel representa cerca de 5% do PIB industrial português e é responsável por mais de 15% das exportações, com destaque para veículos e componentes.
Por exemplo, só a Autoeuropa representa 1% do PIB português e 5% das exportações do país.
Esta terça-feira, a Bosch de Braga, focada na área da mobilidade, disse que vai entrar em 'lay-off', a partir de novembro e "até presumivelmente" abril de 2026, uma decisão que vai afetar 2.500 trabalhadores, devido à escassez de componentes para peças eletrónicas, anunciou hoje a empresa.
"Devido à escassez de componentes para peças eletrónicas e as recorrentes interrupções na produção, o mecanismo de 'lay-off' estabelecido no Código de Trabalho entra em vigor a partir do início de novembro até, presumivelmente, ao final de abril de 2026", indicou, em comunicado.
Na semana passada, também a Coindu, indústria de componentes têxteis para o setor automóvel anunciou que vai avançar com o segundo despedimento coletivo este ano, após o de maio ter abrangido 123 trabalhadores, devido ao declínio das encomendas no setor.
"Após uma análise aprofundada da situação económica e operacional da empresa, terá de proceder a uma reestruturação do seu quadro de colaboradores, devido ao declínio acentuado e prolongado das encomendas no setor automóvel, que tem impactado a sua atividade nos últimos anos", informou, em comunicado, a empresa sediada em Joane, Vila Nova de Famalicão (distrito de Braga).
Em maio, a Coindu avançou com o despedimento coletivo de 123 trabalhadores e colocou outros 237 em 'lay-off' e, em finais de 2024, fechou a fábrica que tinha em Arcos de Valdevez, deixando sem emprego 350 trabalhadores.