10 nov, 2025 - 23:17 • Alexandre Abrantes Neves
É conhecido no TikTok pela receita perfeita não para o desastre, mas para a comédia. Em vídeos de 30 segundos no máximo, Khaby Lame nunca fala, utiliza apenas gestos e expressões para criar sátiras de vídeos que circulam pelas redes sociais, mostrando que certas dicas online (como tutoriais para colocar alfinete de gravata ou lavar a loiça) são inúteis ou exageradas.
A voz, essa, raramente se ouve e, só por isso, já é uma relíquia, mas Khaby Lame veio apresentar o seu timbre à abertura Web Summit em Lisboa para deixar um apelo aos criadores de conteúdo. Têm medo da Inteligência Artificial? Então, “produzam, produzam, produzam”.
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“Agora é a hora de se criar conteúdo. Acho que a verdadeira comédia vem das pessoas. A IA agora está a dominar muitas redes sociais – eu nem consigo reconhecer o que é real e o que é falso. É bom que comecem a fazer algo diferente. As pessoas vão gostar de algo criativo e original”, apontou, ressalvando que “raramente” utiliza ferramentas de IA e que, no seu trabalho, “continua tudo bem” e que mal sente efeito dos conteúdos gerados por máquinas.
Ainda, assim, reconheceu que os perigos existem e, por isso, o conselho que deixou a “influencers” que possam sentir quebras no número de seguidores e na publicidade foi aquele que sempre seguiu – o do “trabalho árduo” e o de confiar.
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“Depende de ti. Todos vão cometer erros, porque cometer erros é normal e é humano”, afirmou. “É confiar em Deus, porque Ele é bom e está sempre lá para ajudar. E continuar em frente até conseguir. Sem se deixar influenciar pelas outras pessoas: os limites das outras pessoas não são os seus limites”, aconselhou, perante uma plateia que irrompeu em palmas várias vezes perante a presença do “influencer” com nacionalidade italiana e senegalesa.
Logo ao lado, de sorriso na cara, mas com ideias mais sérias, Mark Nelsen, diretor de produtos da empresa de cartões bancários Visa, aproveitou as deixas do humorista sobre o meio digital para abrir uma caixa de pandora: a criação de instrumentos financeiros específicos para os “influencers”, que chegam a faturar mais de 100 mil dólares por ano.
“Se pensarmos num criador, ele tem um acordo com uma marca e vê o dinheiro a entrar na conta bancária, mas não há maneira de associar o dinheiro que acabou de entrar a uma parceria específica. E isso não parece fazer sentido. Por isso, tentar otimizar este processo é uma enorme oportunidade para nós como empresa”, assinalou, no Palco Central da cimeira tecnológica.
O problema – que até acaba a travar investimento, diz Nelsen – é o preconceito de que esta ainda não é uma “profissão a sério”. Os prejuízos, claro, vêm primeiro para os criadores, mas depois para a economia, já que há bancos a recusar créditos a estas pessoas por não terem uma situação profissional estável ou convencional.
A solução por parte dos “influencers” não demorou a chegar e, confessa o responsável da Visa, foi “fascinante.”
“Os criadores autofinanciam-se. Posso criar um ‘token’ e vender aos meus seguidores: «Se comprarem, garanto-vos 3% dos meus ganhos futuros durante dez anos». Assim, pode-se realmente investir num criador para lhe dar acesso a dinheiro que um banco não lhe daria. Com o tempo, já vemos estas estratégias serem implementadas de forma mais ampla”, elogiou.