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Defesa

Franceses propõem investir “dezenas de milhões” no Arsenal do Alfeite

25 nov, 2025 - 15:03 • Sandra Afonso

O Naval Group sobe a fasquia na corrida pela venda das futuras fragatas à Marinha portuguesa. Propõe ao governo a criação de uma empresa com o Arsenal do Alfeite, para instalar um polo industrial na base naval.

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É um dos grupos de estaleiros que está na corrida para fornecer as novas fragatas à Marinha. Para adoçar o negócio, o Naval Group anuncia agora em comunicado que 20% do valor pago pelas fragatas será reinvestido na economia nacional. Como? Através da modernização do Arsenal do Alfeite.

A proposta do grupo francês passa pela criação de um hub de indústria naval para apoiar a Marinha Portuguesa. É um investimento “estimado em dezenas de milhões de euros”, que passa pela criação de uma nova empresa detida pelo grupo Naval Group e o Arsenal do Alfeite.

“Esta nova empresa irá gerir e executar todos os futuros contratos de manutenção para a Marinha Portuguesa“, explica o grupo em comunicado, e “irá garantir e desenvolver os empregos no Arsenal do Alfeite e muitas outras empresas portuguesas no setor de manutenção”.

Também “estará posicionada para apoiar as atividades e clientes internacionais do Naval Group, reforçando o modelo de negócio a longo prazo do estaleiro“, acrescentam.

O Naval Group constrói navios e submarinos militares e é detido, maioritariamente, pelo Estado francês e em mais de 30% pela Thales.

Garantem que “a experiência internacional do Naval Group em programas de transferência de tecnologia – incluindo o desenvolvimento de infraestruturas submarinas no Brasil – permitirá à nova empresa elevar o Arsenal do Alfeite aos padrões exigidos com custos otimizados”.

O investimento proposto inclui a “modernização das infraestruturas, equipamentos e capacidades industriais do Arsenal do Alfeite, permitindo operações de manutenção e atualização eficientes, competitivas e preparadas para o futuro”, garantem.

Franceses e italianos disputam maior negócio militar em Portugal

Em cima da mesa está a renovação das fragatas da Marinha Portuguesa, como assinalou o ministro da Defesa ainda este mês, na audição parlamentar no âmbito da apresentação do Orçamento do Estado para 2026. “Estamos ativamente neste momento a pensar na aquisição de novas fragatas, modernas”, referiu o ministro Nuno Melo, no Parlamento.

O Governo poderá adquirir duas ou três fragatas, o que irá custar entre 2 e 3 mil milhões de euros, segundo contas avançadas pelo Expresso, ou seja, o negócio ficará acima da compra de submarinos que era, até aqui, a maior aquisição militar de sempre do país.

Além das fragatas, o Governo procura soluções para o Arsenal do Alfeite, para que “seja capaz de cumprir com o que lhe é solicitado, queremos assegurar que os postos de trabalho são salvaguardados, gostávamos que face ao futuro novas capacidades do ponto de vista humano e técnico pudessem ser, e serão, no Arsenal do Alfeite”, referiu o ministro.

A defesa herdou o Arsenal do Alfeite com “uma dívida muito significativa”, mas Nuno Melo assegura que o Governo quer “salvar o Arsenal”.

Portugal tem de apresentar a Bruxelas até ao final de novembro a lista de investimentos ou compras para aceder aos cerca de 6 mil milhões de euros do programa europeu SAFE. O ministro da Defesa diz que as contrapartidas serão um “fator decisivo” na escolha.

Este anúncio do Naval Group surge na véspera dos italianos dos estaleiros Fincantieri trazerem a Lisboa a fragata “Emilio Biachi”, no âmbito do Industry Day, com empresas portuguesas, para sensibilizar o Ministério da Defesa para o potencial da sua construção.

Há três semanas os franceses do Naval Group atracaram na Doca de Alcântara a sua novíssima Fragata de Defesa e Intervenção “Amiral Ronarc’h, numa ação idêntica de promoção da fragata francesa. Em outubro também realizaram um Industry Day, altura em que contactaram com 45 empresas em Portugal. “Um mês depois o Naval Group já está a cooperar com 17 dessas empresas”, garante em comunicado.

Contactada pela Renascença, a Marinha não tem, de momento, qualquer comentário a fazer sobre notícias relacionadas com as aquisições no âmbito do programa SAFE.

[notícia atualizada às 18h44]

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  • Luís R.
    21 dez, 2025 Brasil 02:24
    Contrariamente à opinião acerca da pensão que recebo (que quase dá para pagar 60% de uma casa de renda acessível), nessas coisas de investimento de cinco mil e oitocentos milhões de euros em material militar, não acho muito. O material está pela hora da morte!. Ora o Sr, Ministro da Defesa, que percebe dessa Organização do Tratado do Atlético.. qualquer coisa, (já não me lembro do que ele disse) mas, para abreviar, acho muito bem que se gastem. perdão, invistam, cinco mil e oitocentos milhões de euros em caças, navios de guerra, drones, mísseis e radares. Um Portugal pequenino mas forte. Venham eles! Vão ver com quem se metem! Aljubarrota de Norte a Sul e Ilhas ! Viva Portugal!
  • E...?
    25 nov, 2025 Cá 17:45
    2 ou 3 fragatas não chegam para o imenso mar que temos à nossa guarda, e as novas responsabilidades de ter a Marinha Russa sempre a cheirar a ver onde estão os cabos submarinos para arrancar, a não ser que sejam para acrescentar às 5 existentes e não para a sua substituição. E já agora, sistemas antiaéreos contra misseis balísticos, de cruzeiro e drones? E a substituição dos F-16? Há muito onde gastar esses 6 000 milhões - que até são miserabilistas, principalmente porque a Hungria, que já disse que se rendia à Rússia se fosse atacada, recebeu o dobro, e nós, membros fundadores da NATO e dispostos a lutar, temos metade.

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