Ouvir
  • Noticiário das 1h
  • 13 jun, 2026
A+ / A-

Economia

Black Friday. Governo pede maior fiscalização, mas consumidores têm mais cuidado

27 nov, 2025 - 20:44 • Redação, com Lusa

"Proteger os consumidores de práticas de que não cumpre com as regras legais" é o objetivo do ministro da Economia e da Coesão Territorial. Pede-se uma maior vigilância da ASAE, mas apenas 32% dos portugueses afirmam realizar mais compras impulsivas do que há dois anos.

A+ / A-

O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, solicitou à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) que reforce fiscalização durante o período da Black Friday. "Este reforço na fiscalização da atividade económica deverá ser dirigido tanto ao comércio digital como ao físico", salientou a tutela.

A tutela apontou o "exponencial aumento da atividade económica e do volume de compras" para incentivar a ASAE a "proteger os consumidores de práticas de quem não cumpre com as regras legais", segundo um comunicado.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Para o Governo, o "objetivo é garantir a defesa e a segurança dos consumidores e, ao mesmo tempo, as condições que potenciem o comércio justo e a salvaguarda da regular atividade económica".

Porém, os consumidores portugueses estão a revelar maior prudência nas compras por impulso à medida que se aproxima a Black Friday. Esta contenção no consumo alinha-se com a tendência europeia, segundo o estudo "European Consumer Payment Report 2025" da Intrum.

De acordo com a análise, apenas 32% dos portugueses afirmam realizar mais compras espontâneas "online" do que há dois anos, uma queda face aos 43% registados em 2024.

A nível europeu, o relatório aponta igualmente para uma inversão de comportamento: 30% dos consumidores dizem fazer mais compras impulsivas do que há dois anos, número significativamente inferior aos 45% apurados no estudo anterior.

A Intrum relaciona esta retração com o prolongamento da pressão sobre os orçamentos familiares, causada pela inflação, pelos custos de vida elevados e pelas taxas de juro.

Até as redes sociais, tradicionalmente associadas ao impulso de compra, também perderam alguma influência, sendo que 76% dos portugueses – acima dos 70% registados na Europa – consideram que as redes sociais criam expectativas financeiras pouco realistas.

O estudo destaca ainda o aumento da utilização das opções "compre agora, pague depois" ("Buy Now, Pay Later", em inglês). Em Portugal, 31% dos inquiridos assumem estar mais predispostos a comprar quando esta modalidade está disponível, ligeiramente acima da média europeia (28%).

A Intrum alerta, contudo, para os riscos associados quando este tipo de crédito é usado para despesas não essenciais. Perante o período de grandes promoções, a empresa sublinha a importância de uma abordagem mais racional às compras.

"A Black Friday deve ser encarada como uma oportunidade para poupar de forma consciente e não como um incentivo ao consumo desenfreado", afirmou o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra, citado no comunicado.

A Intrum defende ainda que a resposta a estes desafios deve envolver consumidores, empresas e decisores políticos, apelando ao reforço da literacia financeira, a práticas comerciais transparentes e a soluções de pagamento equilibradas, de forma a reduzir o impacto do consumo impulsivo e do recurso excessivo ao crédito.

Ouvir
  • Noticiário das 1h
  • 13 jun, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque